Arquivos da Categoria: Uncategorized

Marco Civil da Internet: em defesa da Internet cidadã!

Entenda o que pode acontecer se as teles alterarem a neutralidade da rede no Marco Civil.
Marco Civil da Internet sofre mais um grave ataque 
Passado o ano de 2012, em que a votação do principal projeto de lei que estabelece direitos civis na rede foi adiada seis vezes, e o lobby dos direitos autorais introduziu uma problemática alteração no texto, as teles não querem ficar para trás.
As empresas de telecom direcionam suas forças contra a neutralidade da rede, isto é, contra a garantia de que o tráfego de dados na internet deve ser igual para todos, sem discriminação em razão de origem, destino, conteúdo, serviço, terminal ou aplicativo.
Entre outras mudanças, as teles defendem mais exceções à proibição de monitoramento e filtragem de conteúdos na rede, além da retirada do termo “serviços” da proposta legal que protege a neutralidade. Querem, com isso, assegurar que em um futuro próximo possam definir o que você conseguirá ou não fazer na internet dependendo do quanto puder pagar. Quem sabe até pagar mais para usar páginas como essa! São mudanças que atacam a rede mundial como conhecemos.
Além de reagir a esse ataque à neutralidade, a sociedade organizada deve protestar contra a exceção que foi criada em favor da indústria de direitos autorais, na regra que estabelece a importância de decisão judicial para a retirada de conteúdos do ar, após o contraditório e a ampla defesa. O Marco Civil da Internet foi construído com ampla participação social, e destaca entre seus princípios a liberdade de expressão e o direito de acesso igualitário à rede, que estão ameaçados.
Precisamos da sua ajuda para pressionar os deputados e o governo pela aprovação imediata do projeto, sem a exceção aos direitos autorais (art. 15, §2º). Os adiamentos demonstram a força das pressões contrárias ao Marco Civil e ampliam o terreno para mudanças ainda piores.
Para a aprovação dessa importante garantia de direitos na internet brasileira, envie uma mensagem aos deputados.
Use a ferramenta no link abaixo para mostrar aos parlamentares que você também defende que o Marco Civil seja uma lei:
Agradecemos a todos que enviaram mensagens desde o início da campanha. Acreditamos que é importante continuarmos a demonstrar que os internautas querem um Marco Civil, portanto não encerraremos a campanha até que seja aprovado, de acordo com os seus princípios fundadores. 
Veja o projeto de lei na íntegra aqui (clique em “parecer”).
Saiba mais em: www.marcocivil.com.br/

Quem (não) me representa?

Por Ana Lucia Enne, membro do Conselho Editorial e colunista da Revista Vírus Planetário

Março de 2013 reservou-nos uma ingrata surpresa. O pastor Marcos Feliciano, deputado federal pelo PSC-SP, foi indicado para assumir a importantíssima e estratégica presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Feliciano é pródigo em declarações polêmicas, de cunho homofóbico, sexista, racista e de perseguição religiosa, se tornando nacionalmente conhecido por frases como: “Africanos descendem de ancestral amaldiçoado de Noé. Isso é fato”; “A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, a rejeição” (sic); “É a última vez que eu falo. Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Aí não vale. Depois vai pedir o milagre para Deus e Deus não vai dar”; “Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada”;  “Eu queria estar lá no dia que descobriram o corpo dele. Ia tirar o pano de cima e dizer: ‘Me perdoe John, mas esse primeiro tiro é em nome do Pai, esse é em nome do Filho e esse em nome do Espírito Santo’” (sobre a morte de John Lennon); “Ao invés de virar pra um lado, o manche tocou pra outro. Um anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças” (sobre a morte dos integrantes do conjunto Mamonas Assassinas); dentre outras pérolas disparadas em seu perfil no twitter, em passagens de livros, em vídeos, em entrevistas. Convenhamos, é tanto aviltamento, disparate, preconceito, afirmação criminosa (porque, sim, racismo é crime no Brasil, inafiançável), que custamos mesmo a acreditar que a entrega da presidência da Comissão de Direitos Humanos a uma pessoa desse calibre não seria só uma espécie de “pegadinha”. Mas não é.

Para lidar com o choque por essa indicação ofensiva e inacreditável, parte significativa dos brasileiros, através dos mais diversos movimentos e ações sociais, individuais ou coletivas, criou uma forma de manifestação pública, batizada de “Feliciano não me representa”, indicando, através de múltiplas formas de expressão, sua não identificação com os valores e práticas do pastor Feliciano.

webvalesca

Ilustração de Inês Emery

Sabemos que representar é tornar presente, através de uso de significantes, um ausente. Toda representação, semiologicamente falando, é uma tentativa de colocar no lugar de um ausente algo que o represente, que fale por ele, que o sintetize, que o substitua. Também sabemos que uma representação, por maior que seja seu esforço de síntese e mimese, por mais que lance mão de efeitos de real, por mais que se espelhe e ancore naquilo que busca representar, jamais dará conta de substituir de fato o ausente. Toda representação é, assim, uma incompletude, uma ilusão, uma apropriação parcial e possível de uma ausência. No entanto, como já dissemos acima, uma representação é um jogo de relações entre o presente e o ausente. É preciso lançar mão de diversos recursos para que acreditemos que no lugar do ausente aquele/aquilo que nos representa faça sentido, nos pareça real, nos pareça coerente com aquilo/aquele que representa. No caso da representação instituída, em que alguém a quem delegamos um papel fala por nós, como um síndico, um representante de turma, um orador ou um político eleito, acreditamos que ele irá cumprir essa delegação porque o colocamos ali porque ele nos sintetiza, é capaz de falar por nós porque nos identificamos com seus valores e práticas, porque confiamos em seu lugar moral, reconhecemos sua autoridade e sua legitimidade de falar por nós, mesmo sabendo que será impossível que o representante fale por todos, consiga agradar e sintetizar todas as visões de mundo, seja sempre retilíneo e não contraditório. Ainda assim, esperamos daquele que nos representa a partir de nossas escolhas que ele seja coerente, que nos substitua, seja a presença em nossa ausência, que ocupe o lugar moral que acreditamos que ele tenha, por isso o instituímos nosso representante.

Quando parte significativa de um país adere a um movimento que acusa o pastor Marco Feliciano de não representação, o que esse brado está dizendo é: não reconhecemos seu lugar moral, sua autoridade e sua legitimidade para falar por nós; não nos identificamos com seus valores e visões de mundo; não aceitamos a sua instituição para nos substituir. Acho que independentemente do resultado desse movimento contestatório, já podemos comemorar uma vitória: que bom ver tanta gente dizendo que não concorda com os valores de Feliciano, seu ódio à diferença, ao outro, à humanidade. Que bom percebermos que muitos não querem o embaralhamento da razão política pela emoção religiosa, que se busca o Estado laico para todos, fazendo valer o ideal republicano e democrático. Neste sentido, é muito bom poder dizer: Feliciano não me representa. É maravilhoso ver o que esta frase carrega de sentidos e posições políticas para o mundo.

Ao mesmo tempo, participei, recentemente, de episódio também muito interessante de conflito representacional. Sou professora do curso de Estudos de Mídia, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Em abril de 2013, uma turma de sete alunos me fez o feliz convite para ser paraninfa em sua formatura, o que aceitei com gosto, sempre me alegra muito quando os meus alunos querem que eu os represente. Nesta mesma formatura, os alunos escolheram para patronesse a funkeira Valesca Popozuda que, infelizmente, não pode comparecer, mas manifestou muita felicidade também com o convite. Adorei a ideia da turma. Em primeiro lugar, porque externaliza a vocação e a coragem do curso de Estudos de Mídia, de não se conformar com os paradigmas, de quebrar com as regras, de nos lembrar aquilo que Oswald de Andrade já havia dito belamente no Manifesto Pau Brasil: “só há determinismo onde não há mistério”. É preciso, então, abrir janelas, forjar outros olhares, confundir, hibridizar, blasfemar, para quebrar os determinismos, o senso comum, as verdades cristalizadas. Ainda citando Oswald, é preciso coragem para “ver com olhos livres”. E isso fizeram esses sete alunos: ousaram blasfemar, homenageando não só uma personalidade não acadêmica, mas do reino do pop, do polêmico e muitas vezes vilipendiado universo do funk; uma cantora que para alguns “banaliza o corpo feminino e contribui para a exploração da mulher”, enquanto para outros tematiza a questão da sexualidade feminina e coloca em cena discussões importantes para o feminismo; uma artista que para muitos representa o mundo da alienação, enquanto para outros tem se mostrado cidadã consciente apoiando causas de minorias, em especial a luta anti-homofobia. Ou seja, uma personagem não retilínea, contraditória, complexa, assim como a vida. Palmas para meus ousados alunos, que não se curvaram ao óbvio e se atreveram a homenagear alguém cujo comportamento e estilo artístico são alvos constantes do preconceito e da distinção de classe.

No entanto, não se toma uma atitude assim sem correr os riscos de suas consequências. Associar-se em um projeto de identidade a quem carrega as marcas do estigma, como os funkeiros, mesmo que aparentemente protegido pelas unções do sagrado (no caso, a marca do diploma acadêmico), muitas vezes faz com que as marcas do preconceito contaminem também o defensor. E isso, a meu ver, torna a luta ainda mais necessária, mais justa, mais bonita. Não temer a associação com as marcas do perigo, não se apegar às cômodas vestes da pureza. Luta bonita e dura, mas que vale tão a pena viver. Dito e feito! A homenagem causou espanto, virou matéria em muitos jornais, recebeu levas de comentários negativos dos leitores cínicos dos portais de notícias, como o Globo, que têm a cara de pau de acusar de “baixa cultura”, “falta de cultura”, ou qualquer um desses termos preconceituosos e ignorantes acerca da diversidade e polissemia da ideia de cultura, aquele que professa um gosto diferente do seu, se esquecendo, inclusive, que para boa parte da elite intelectual que lhe serve de referência para a aplicação do rótulo preconceituoso contra o funkeiro, também ele, leitor de O Globo, num passa de um alienado, inculto, uma grande de uma besta. Dando um tiro no próprio pé, os comentaristas dos portais apontaram suas armas contra Valesca, o funk, os formandos, a universidade, os professores, o curso e, pasmem!, Lula e a política de cotas.

Tudo isso me fez pensar em representação, na configuração do jogo presente x ausente, no reconhecimento do lugar moral daquele que, instituído, fala por mim, fala por você, fala por nós. Feliciano, por tudo que já foi dito, com certeza não me representa. Não tenho dúvidas entre quem escolheria, em termos de valores, para me representar, se Feliciano ou Valesca. Por isso, não tenho qualquer hesitação em afirmar, neste artigo, que Feliciano não me representa, os preconceituosos não me representam, os comentaristas dos portais com suas visões de mundo estreita e suas ridículas necessidades de distinção (sendo leitores de O Globo!, mas que grandes de umas bestas!, diria a inteligência ainda mais distinta!) também não me representam. Valesca Popozuda, o funk, as formas de resistência da cultura popular, seus embates, contradições, suas lutas e questões, sim, me representam. Mas me representam ainda mais os meus valorosos e corajosos alunos, que arriscam, não temem associar seus nomes ao lugar do preconceito, que sambam na cara da sociedade quando dizem que não se curvam aos dogmas e aos sacralizados, que estão aí pra fazer pensar e não para se submeter, que colocam pra dialogar o que aprendem em sala com o que vivenciam no mundo. Esses alunos, os formandos e todos aqueles que depois compraram a briga por eles, esses não só me representam, como me enchem de orgulho. Tamo junto e misturado, sempre!

 

Publicado originalmente: http://www.virusplanetario.net/quem-nao-me-representa/

Este artigo está na edição número 22 da revista que começa a ser vendida esta semana.

Cineclubismo no Brasil: visões de ontem e perspectivas do contemporâneo

É com prazer que compartilho por aqui o Trabalho de Conclusão de Curso em Estudos de Mídia na UFF da querida pesquisadora, cineclubista e amiga Drica Carneiro (sob a orientação do igualmente querido cineasta e professor Miguel Freire).

Resumo
O presente trabalho objetiva analisar e questionar as diversas formas e modos que a atividade cineclubista no Brasil assumiu em diferentes conjunturas sociais, econômicas e políticas. A partir do entendimento sobre a dimensão histórica do cineclubismo, com a fundação de cineclubes, realizações de Jornadas Nacionais de Cineclubes e organização de entidades de federativas, tais como associações regionais e o Conselho Nacional cineclubista, serão assinalados momentos de fraqueza e de coragem que motivaram e/ou derivaram mudanças de rumo no desenvolvimento da atividade e de sua organização. Será analisada a síntese histórica datada de acontecimentos e circunstâncias entre os anos de 1917 a 2011. A partir das entrevistas colhidas para a pesquisa serão levantados questionamentos acerca de temas como sustentabilidade, público, acervo de filmes e conceito de cineclube.

Palavras-chave
História do cineclubismo; jornada nacional de cineclubes; acervo e programação de cineclubes.

Baixe aqui:
Cineclubismo no Brasil

Caravana por La Paz: Cultura Viva Comunitária na América Latina

“Um fantasma vestido de palhaço percorre a América Latina: O Fantasma da Cultura Viva Comunitária”

(Ivan Nogales – Bolívia)

A Caravana por La Paz é uma caminhada, um percurso, um movimento, uma jornada de mobilização e articulação da participação brasileira no I Congresso Latinoamericano de Cultura Viva Comunitária, que acontecerá em La Paz, Bolívia, entre os dias 17 e 22 de maio de 2013. O fantasma vestido de palhaço percorre as cidades, as regiões, as terras, os pontos, os sons e as cores do Brasil, neste caminho rumo ao coração latinoamericano, no altiplano da Bolívia, a 3600 metros de altitude.

O Congresso, que reunirá mais de 600 representantes dos mais diversos países da América Latina, entre movimentos sociais e culturais, legisladores de parlamentos nacionais e locais e gestores públicos de cidades e países latinoamericanos, representa a consolidação de uma política cultural transformadora, construída de baixo para cima, em uma aventura continental. Existem hoje em nosso continente cerca de 120 mil organizações culturais comunitárias desenvolvendo práticas emancipatórias de transformação social através da cultura. Parte importante deste amplo e diverso panorama estará reunida em La Paz para pensar, debater, celebrar e avançar em uma construção coletiva.

Neste caminhar, recebemos durante 10 dias no Brasil o escritor e diretor teatral boliviano Ivan Nogales, coordenador do Congresso. Ivan percorreu várias cidades nos estados de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, conquistando importantes apoios para o Congresso e a participação brasileira no encontro. Reuniu-se com os secretários de Cultura do estado e da cidade de SP, do DF e do RJ e com representantes do Ministério da Cultura, e estas instituições assumiram compromissos concretos de apoio e parceria. Esteve no Congresso Nacional, onde falou para o plenário da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, garantindo a participação do parlamento brasileiro no Encontro. Reuniu-se com centenas de artistas, coletivos culturais, redes, movimentos e pontos de cultura de todo o país, mobilizando e preparando a participação brasileira no encontro de La Paz. Parte desta programação está reunida e sistematizada no site lançado durante o percurso: www.caravanaporlapaz.org

Apoios Institucionais
A Caravana por La Paz, semeadora de muitas caravanas, conquistou apoios e parcerias pelo caminho. No Paraná, a Universidade da Integração Latinoamericana (UNILA) se engajou fortemente na iniciativa. Em reunião com centenas de estudantes de 11 países do continente, foi anunciado o apoio à ida de uma delegação de 30 estudantes, além do interesse em receber o Segundo Congresso em Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Os Secretários de Cultura do Estado de São Paulo, Marcelo Araújo, e da Capital, Juca Ferreira, confirmaram a participação de suas secretarias no evento e o apoio efetivo em forma de passagens aéreas e estrutura para as caravanas. Em Brasília, além do apoio do Governo do Distrito Federal para uma caravana de Brasília rumo a La Paz e do compromisso do Ministério da Cultura em apoiar o evento, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, através de sua presidente, a Deputada Jandira Feghali, se comprometeu a encabeçar a criação de um Parlamento Latinoamericano de Cultura Viva Comunitária, que será lançado durante o Congresso.

No Rio de Janeiro a Secretaria Estadual de Cultura também ofereceu o seu apoio, com passagens aéreas e estrutura para viabilizar uma caravana, em retribuição à Caravana Por La Vida – de Copacabana a Copacabana. E na UFRJ, onde se encerrou esta etapa da Caravana, as presenças de Célio Turino, Ivan Nogales, Geo Britto e Ivana Bentes, na estreia do Programa de WebTV Cultura Viva 2.0, evidenciaram a representatividade da participação brasileira nesta empreitada latinoamericana [assista o vídeo abaixo].

Próximos passos
A Jornada segue, e há ainda muito a fazer, no caminho brasileiro até La Paz. Os pontos de cultura, coletivos, redes e movimentos culturais se mobilizam em todo o país para participar do Congresso. Serão caravanas que chegarão a Bolívia de ônibus, de avião, a pé… a Cultura Viva Comunitária criou um repertório comum de políticas culturais e culturas políticas, que hoje irmanam e aproximam os povos latinoamericanos, e o Brasil inspirou e vem sendo inspirado por este processo. Estimamos a presença de cerca de 300 representantes brasileiros em La Paz em maio, e este número tende a crescer. Num esforço solidário, redes e coletivos culturais brasileiros começam a enviar representantes para a Bolívia a partir de abril, para colaborar na construção do Congresso nas áreas de produção, comunicação, logística, entre outras. Do lado boliviano, cidades como Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba e Oruro também estão se organizando para receber as delegações e caravanas brasileiras, argentinas, paraguaias e uruguaias no percurso até o Congresso.

O Sonho de Bolívar, de uma América Latina unida, forte e integrada, se realiza hoje na esperança equilibrista do fantasma vestido de palhaço. O Brasil se vira de frente para os países vizinhos e irmãos e encontra mãos estendidas, abraços apertados, olhares cúmplices e sonhos em comum. A Cultura Viva Comunitária, como diz o mestre Ivan Nogales, é a semente da revolução criativa e transformadora do Século XXI. “Caminante, no hay camino: el camino se hace al caminar”, disse o poeta ibérico. E aos 500 anos de sua história, o povo latinoamericano se reencontra com a sua poesia, no caminho desta Caravana Por La Paz.

Hasta pronto!

Brasil, Março de 2013

Caravana Por La Paz

 

Publicado originalmente em: http://www.caravanaporlapaz.org/2013/04/02/um-fantasma-vestido-de-palhaco-percorre-a-america-latina-o-fantasma-da-cultura-viva-comunitaria/

 

Assista aqui o primeiro programa da série Pós TV Cultura Viva Comunitária 2.0, gravado na Escola de Comunicação da UFRJ:

 

#Unicultspring: mapeando formação e cultura p2p

Image

A UniCult – Universidade das Culturas hackeu o P2P Wikisprint e convoca tod@s para o #Unicultsprint: amanhã a partir do 12h no apê da Unicult!

O objetivo é aproveitar o #Wikisprint, mutirão mundial de mapeamento de iniciativas p2p puxado pela P2P Foundation, para darmos um gás no nosso mapeamento de campus e corpo docente da Unicult: http://va.mu/cRRr

Sobre o #Wikisprint:
site oficial com mapa das cidades onde vai rolar mutirão: http://wikisprint.p2pf.org/#encuentros
teaser (em espanhol): https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=mIvDm4n9gPQ
pagina no face: https://www.facebook.com/pages/P2P-Wikisprint/434499923291075?ref=hl

Até lá!

Encontro Unicult – 01 a 04 na ECO UFRJ

Imagem inline 1

 
Inscrições, Programa e Mapeamento de Redes http://migre.me/dpGzc

Dia 01 – sexta – Apresentação da Proposta da Rede de Formação Unicult e dos projetos de formação  e mobilização das redes organizadoras e convidados. Apresentação do Projeto de Mobilização e Comunicação do Participatório: Observatório participativo da Juventude.
Dia 02 – sábado  - Mapeamento dos campi, recursos disponíveis (ferramentas, plataformas) e elaboração de Percursos de Formação em Cultura, Midia Livre e Ativismo. Oficina de construção coletiva de Percursos. Ao término do processo cada grupo terá sua proposta metodológica apresenta em um mapa com suas datas e propostas de formação.
Dia 03 – domingo –  Construção coletiva do percurso da Universidade da Cultura Livre – RJ. Elaboração de propostas de multicertificações, critérios metodológicos e estruturais do primeiro percurso formativo UNICULT. Propostas de articulação nacional da Unicult

Dia 04 segunda -Reunião de encaminhamentos e execução das propostas

Rede Unicult Rio: Espocc (Escola Popular de Comunicação Critíca), Universidade Fora do Eixo (UniFDE), Agência Redes para a Juventude, Universidade Aberta, Núcleo de Pesquisa do Pontão da ECO-UFRJ, Laboratório de Produção Cultural da ECO (LAPC); Núcleo de Pesquisa P2P no Brasil, Laboratório de Politicas Culturais e UNI Griô , Pontão de Cultura NINA, Laboratório Cultura Viva, LabMuy, Lab de Controvérsias da UFRJ, Projeto Ninja, Overmundo, Viva Favela, Voz da Comunidade, Enraizados, FLUPP, Rede Povos de Terreiro, Faculdade de Educação da Baixada Fluminense – FEBF-UERJ, Laboratório de Inovação Multimídia, Norte Comum, Mate com Angu, CUFA, Outras Palavras, Crescer e Viver, Agência de Notícias da Favela (ANF), Pontos de Cultura do Rio de Janeiro, etc.

Curso de extensão em Cultura Digital e Economia Criativa

Image

 

Curso de extensão será realizado no período de 18 de fevereiro a 17 de maio na Concha Acústica da UFPE

Pedro Jatobá

ampliar Leo Guedes

O movimento Conch@tiva convida jovens entre 18 a 25 anos com interesse em aprender e atuar na área de audiovisual, comunicação, educação, inclusão digital e/ou cultura popular para se inscreverem no Curso Extensão: Formação Colaborativa para Empreendimentos Criativos, organizado pela Produtora Colabor@tiva.PE em parceria com a pró-reitoria de extensão da UFPE e do Departamento de Comunicação e apoio do Centro de Recondicionamento de Computadores do Recife (CRC Recife) ligado ao Circuito Jovem Marista do Recife.

O curso voltado a pessoas interessadas em economia criativa e cultura digital contempla três eixos temáticos: Audiovisual, Comunicação Digital e Economia Solidária. O curso terá carga horária de 120 horas aula semi presenciais subdividas em dois módulos. O primeiro de cultura digital com 80 horas e o segundo em economia solidária com 40 horas de duração.

O aluno participante poderá optar no primeiro módulo entre seis opções ligadas aos eixos de Audiovisual e Comunicação. O segundo de economia solidária será realizado em duas turmas envolvendo todos os alunos que concluíram a primeira etapa.

Mais informações em http://www.iteia.org.br/jornal/abertas-as-inscricoes-para-o-curso-formacao-colaborativa-para-empreendimentos-criativos

Dicas de Paris – em português

Paris não é uma cidade simples. Morar lá por dois anos, menos ainda. Então pra facilitar a experiência de quem vai para a “cidade das luzes”, e compartilhar um pouco da minha, resolvi fazer esse post off topic aqui no blog com dicas de passeio, comidas, barzinhos e lugares especiais.

É claro que Paris tem muito mais coisa do que cabe nessa lista, mas como o que não falta por aí são guias turísticos e blogs com ótimas dicas da cidade, dei preferência aqui para indicar aquelas pequenas coisas que fazem a felicidade do dia a dia, principalmente no 11e, que é a região onde eu morava (e a minha preferida!). Para dicas mais atualizadas e completas de Paris, sugiro o blog Petit Jounal de la Porte Dorée

Paris é dividida por “arrondissements”, divisões geográficas por números, que vão do 1e ao 20e, como mostra o mapa abaixo, por isso dividi as dicas assim. Não hesite em dar aquela pesquisada no Google para encontrar um endereço ou site de um lugar específico, os lugares, prédios e equipamentos culturais de lá estão geralmente refenciados na internet.

As sugestões estão sinalizadas da seguinte forma:

* – bom     ** – muito bom      *** – imperdível

 

Cultura

1e, 2e

Centre Georges Pompidou – M° Rambuteau ***
Museu de Arte Contemporânea, biblioteca ótima e aberta ao público. Os arredores ficam super movimentados nos fim de semana.

Bibliothèque du cinéma François Truffaut – M° Les Halles *
Dentro do shopping Les Halles, uma mediateca com bastante conteúdo sobre cinema

La Gaité Lyrique – M° Arts et Métiers **
Centro de Arte Digital, abriga diversas exposições e conferências interessantes

3e

Musée d’Arts et Métiers - M° Arts et Métiers
Museu bacana para quem se interessa pela história da ciência e das profissões. Várias invenções, de Guttemberg a Santos Dummont, estão por lá.

5e / 6e

Cinemas em Montparnasse
Maioria blockbuster, mas é um bom passeio pra família seguido de um delicioso crepe bretão

Cinema na Mouffetard – M° Place Monge ou Cardinal Lemoine
Filmes de arte na Mouffetard, e nesse cinema ainda é possível comprar cartazes de filmes novos e antigos, uma boa para imendar com uma cervejinha na badalada rua Mouffetard

Mosquet de Paris - M° Jussieu **
A mesquita de Paris é um dos lembretes da forte influência árabe na sociedade parisiense contemporânea. A mesquita recebe mulçumanos para os cultuos diários e abre algumas partes para vista. Na parte de trás, uma área lindamente decorada perfeita para tomar um chá de menta e uma deliciosa pâtisserie (doce típico árabe) e se sentir no Marrocos. A mesquita dá para os fundos do Jardin des Plantes (mais abaixo), é uma boa opção juntar os passeios.

9e

La Cantine – Rue de Montmartre
Espaço de eventos e co-working e ponto de encontro da cultura digital

10e

Studio Bleu – Chateau d’Eau *
Estúdio de ensaio de diversas bandas principalmente de tendência afro (reggae, maracatu, jazz), vale a pena conferir se tem alguma oficina aberta rolando. Na pior das hipóteses, a região é cheia de barzinhos bons e baratos

12e

Cinémathèque Française – M° Bercy **
Relíquia para quem gosta de cinema, sempre tem exposições novas, e filmes seguidos de debate com a equipe

BNF – Bibliothèque François Mitterand
A principal biblioteca de Paris, tem uma arquitetura moderna e um jardim de inverno interior. Apesar de ser linda, acho um ambiente hinóspito para estudos (muito escura e cheia de regras).

18e

Museu do Dali - M° Abesses
Para quem gosta do pintor surrealista, vale a visita, seguida da lojinha de lembranças divertidas à la Dali. Fica atrás da Place du Terthe

19e

Cidade da Ciência Porte de la Villette *
Quem vai com família e filhos não pode deixar de ir. Uma viagem pelo mundo da ciência, também abriga eventos como a Ubuntu Party (encontro de software livre, todo ano em abril e outubro)

Le CentQuatre – M° Crimée
Centro de artes contemporânea e cultura digital, tem sempre artistas novos, pra quem curte.

20e

La Miroiterie – M° Menilmontant **
Um dos squats mais culturais da cidade, a Miroiterie fica no 88 rue de Menilmontant e abriga artistas independentes, viajantes perdidos e oficinas culturais (até capoeira tem). Geralmente não se cobra ingresso, mas vale deixar uma contribuição na entrada. A programação é um mistério, é chegar lá pra ver. Boa pedida para o fim da noite, pois geralmente não tem hora para acabar.

 

 

Pontos Turísticos

1e, 2e

Hôtel de Ville – M° Hotel de Ville *
A prefeitura de Paris, ao lado do Rio Sena, e com uma imensa praça em frente, que de tão versátil recebe no verão quadra de volêi de praia e no inverno uma pista de patinação no gelo. Tem um museu anexo com exposições de fotografia.

Musée du Louvre / Jardin des Tuileries – M° Louvre Rivoli e M° Tuileries
O famoso museu do Louvre, pede no mínimo um dia para visitar por inteiro, é gigante. O Jardim de Tuilleries, a sua frente, é uma delícia para descansar depois do passeio. Atenção: tudo é extremamente caro nessa região, de um crepe de Nutella a souvenirs, você encontra tudo mais barato em outros lugares da cidade

4e

Notre Dame – M° St Michel Notre Dame
Filas gigantes, o jardim na lateral direita me parece mais bonito que a igreja em si

Sorbonne e Panthéon – M° Cluny La sorbonne ou St Michel *
Subindo o Bv Saint German de Près você passa pela famosa universidade Sorbonne e chega ao Panthéon, onde fica o pêndulo de Foucault. Passeio turístico, mas vale a pena no caminho até o Jardin de Luxembourg

11e

Place de la République – M° République *
A praça da República é um dos pontos de maior circulação na cidade, e você provavelmente vai passar por lá para fazer alguma transferência do metrô. Tem lojas e bares no amplo entorno, mas a praça propriamente, por sermuito grande, não é dos melhores lugares para se sair. No Carnaval de Paris é o ponto final do desfile

Place de la Bastille – M° Bastille **
Onde foi derrubada a prisão da Bastilha que levou à revolução francesa, é onde fica a Ópera da Bastilha. A praça costuma ser palco para vários shows e eventos, como a Parada Gay e a comemoração da vitória do presidente socialista François Hollande. Seu entorno fica movimentado, com bares, restaurantes, cinema e um mercado de artes no Boulevard Richard Lenoir nos finais de semana.

Cemitière Père Lachaise – M° Père Lachaise *
Onde estão enterradas diversas celebridades. (Eu, que não sou muito fã de cemitérios, só sei dizer do psicanalista Félix Guattari, a única razão pela qual eu fui até lá )

18e

Sacre Cœur – M° Abesses*
A famosa igreja no Monte dos Mártires (Montmartre), subindo os mais de 300 degraus internos, oferece uma das vistas mais bonitas de Paris. Nos dias de sol as escadarias a sua frente ficam cheia de jovens, músicos, malabaristas (e ‘pic-pockets’ também, é sempre bom ficar de olho)

Place du Terthe – M° Abesses *
Bem clichê parisiense, a praça fica cheia de floristas e pintores de ruas, atraindo os turistas que vêm sentar para comer um crepe na praça

Café Deux Magots (Amélie Poulain) – Rue Lapin, M° Blanche ou Abesses *
Para que curte cinema, o café onde foi rodado o filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” vale uma paradinha para se reconhecer no cenário do filme (que foi todo rodado no bairro, por sinal). Subindo do metrô Blanche em direção a rue d’Abesses pela rue Lapin, fica à direita (fique de olho no nome pois não é muito chamativo e muitas pessoas na rua não sabem onde fica).

 

Parques e pique-niques

1e/4e

Pont des Arts * – M° Pont Neuf
Ponte de pedestres e toda em ferro, suas grades são lotadas de cadeados como jura de amor entre casais (vai entender, trancar seu amor numa ponte né, mas tudo bem…rs). É uma ótima pedida para um vinho, queijos e violão no fim do dia. Fica cheia de jovens no verão

5e

Jardin des Plantes – M° Gare d’Austerlitz *
É o Jardim Botânico de Paris, uma boa opção para sentar e comer um sanduíche ou ler um livro numa tarde durante a semana, principalmente se estiver fazendo sol. Lá também tem um Museu de História Natural, com réplicas de diversos animais, um ótimo passeio para fazer com as crianças.

6e

Jardin de Louxembourg / Senado – RER Luxembourg *
Um dos maiores, mais bem cuidados e mais movimentados jardins de Paris, é onde fica o Senado. Bom pra passar uma tarde pegando sol e lendo um livro (passatempo preferido dos franceses nos dias de sol)

10e

Canal St Martin – M° République, Goncourt, Jacques Bonsergent, Jaurès ***
Um dos lugares preferidos dos parisienses (e meu!) para sentar e tomar um vinho no fim do dia, tem diversos barzinhos ao longo do canal. Simplesmete uma delícia.

11e

Vélib no Boulevard Richard Lenoir ***
Uma das melhores coisas de Paris, na minha opinião, são as Velibs, o sistema de bicicletas em auto-serviço. Além de ser um meio de transporte viável, pois a cidade não é gigante e tem postos de Velib espalhados por praticamente todo canto, é uma delícia se perder pelas ruelas em cima de duas rodas, principalmente no verão. Coloco a dica aqui no 11e pois é o bairro onde eu morava, e o Boulevard Richard Lenoir é super agradável. Mas recomendo andar de bicicleta o máximo possível, para conhecer melhor a cidade, saber se situar, pegar um ventinho na cara e ainda de quebra queimar umas calorias.

12e

Parc de Bercy - M° Bercy  **
O Parc de Bercy, onde fica a Cinémateque Française, é um ótimo lugar para um pique nique no fim da tarde e a pista de skate costuma estar sempre movimentada

19e

Buttes Chaumont – M° Laumière, Botzaris, Buttes Chaumont ou Colonel Fabien ***
Meu lugar preferido de Paris, é um grande parque com montes, um lago central, um lindo mirante e até uma mini queda d’água, pra esquecer que estamos no meio da cidade. Milhares de pique-niques diários, fica lotado nos domingos de sol, especialmente próximo ao badalado bar Rosa Bonheur.

Canal de l’Ourcq - M° Jaurès, Laumière, Ourcq ***
Eu diria a “Lagoa” parisiense, é uma excelente pedida para uma corridinha ou pique nique durante o dia ou um vinho à noite. Perto do Buttes Chaumont, é uma ótima opção também para um fim de tarde depois de um dia no parque. Na beira do rio ficam muitos jovens jogando “petanque” (um nome cool pra “bocha”, sim, aquele jogo de senhores nas pracinhas de manhã). O Bar de l’Ourcq oferece vários jogos de tabuleiro e também empresta as bolinhas de pétanque para jogar no entorno.

Parc de la Villette – M° Porte de la Villette ou Porte de Pantin **
Localizado atrás da Cité de la Science, é uma boa opção de pique nique depois de uma visita ao museu. Como é grande, costuma receber eventos e show diversos. No verão, realiza o “Cinema em plein air” (cinema ao ar livre), com sessões diárias de quarta a domingo, que ficam lotadas de cangas e cadeiras de praia – na minha opinião, a melhor opção do verão.

20eme

Parque de Belleville **
Parque bonitinho no alto de Belleville, o bar em frente tem uma vista linda e lembra o Bar Urca à noite.

Comer

1e, 2e

Falafel da Rue des Rosiers – M° St Paul ***
A loja verde no início da rua, “Le As du falafel”, se diz “o falafel mais famoso do mundo”, mas eu ainda prefiro o da lojinha vermelha no fim da rua, do lado direito, apesar da possível grosseria do atendente (você está e Paris, acostume-se rs). Em todo caso, falafel (sanduíche de salada com bolinhas fritas de grão de bico) é uma delícia e tem várias opções de docerias árabes na rua para a sobremesa. Bon apetit!

Libanês – M° Rambuteau
Descendo a rue de Rambuteu de costas para o Centro Georges Pompidou, a sua direita você encontra uma lojinha verde (se não me engano) que faz sanduíches libaneses na hora. É uma delícia e o preço em conta.

 

3e

Marché des Enfants Rouges  – M° Filles du Calvaire ou Saint Sebastien Frossard *
Um mercadinho típico e bonitinho, bem no centro do Marais. Tem opções de aperitivos e desgustação de vinho e também refeições – uma vez comi num africano delicioso.

 

4e

Maoz (falafel veg) – Rue Saint Andre des Arts **
Se você procura um fast food saudável e com preço e conta, o Maoz é uma ótima opção. Por 5 euros você come um sanduíche falafel com um buffet livre de saladas, para repor o quanto quiser.

M° St Michel **
Em torno da place St Michel e nas ruelas atrás tem vários restaurantes típicos com menus em conta. É andar, se perder e apostar no que tiver com a cara melhor.

6e

Crepes em Montparnasse – M° Montparnasse ou Edgard Quinet ***
Diferente dos milhares de crepe de rua, as creperias de Montparnasse são conhecidas pelas tradicionais gallettes bretãs (crepes salgados feitos com massa escura). Na Rue d’Odessa você encontra várias opções de creperia, todas com uma cara ótima. Minha sugestão de sabor: “Fromage aux artichauds et creme fraîche aux ciboulettes” (Queijo, alcachofras e creme de cebolinha) e de sobremesa “Pomme et caramel au beurre salé” (Maçã com uma incrível combinação de caramelo com manteiga, um dos doces mais deliciosos que já comi) – no dia seguinte você pega uma Velib para compensar as calorias!

9e

Corcoran’s (prato veg) – M° Grands Boulevards *
O Corcoran’s é um pub irlandês que tem em vários lugares da cidade. Nesse do Grand Boulevards já comi algumas vezes uma “porção vegetariana”, basicamente uns empanadinhos de brócolis, cebola e queijo. Ótima opção pra beliscar com as deliciosas cervejas!

Le meilleur crêpe du monde – M° Grand Boulevards
Se estiver pela área, com fome e com pressa, uma boa opção também é essa creperia de rua que faz esquina com a rue Montmartre. Não sei se é o melhor crepe do mundo, mas é um dos maiores com certeza.

La Mafiosa - M° Place de Clichy ***
Esse restaurante italiano na Rue des Dames (se não me engano) é comandado por um chefe brasileiro, e sempre que comi lá foi um prato melhor que o outro, super recomendo. Se disser que é brasileiro, de repente até ganha uma cidra de gentileza, fica a dica!

10e

Indianos do Bv Magenta- M° Gare de l’Est
O Boulevard de Magenta é conhecido pela grande quantidade de restaurantes indianos. Na Rue du Faubourg Saint Denis (descendo da Gare de l’Est em direção ao Boulevard Saint Denis) também tem opções.

Wok for Walk – M° Chateau D’Eau *
Outra opção de fast food saudável e gostoso é esse achado na Rue des Petites Écuries, na altura do n° 14: você escolhe a base, acompanhamentos e molho e sai de lá alimentado e sem gastar muito.

11e

Tien Hang – 14 rue Bichat, M° Goncourt ***
Embora seja de comida tailandesa, esse é, sem dúvidas, meu restaurante preferido em Paris! Especializado em inventar pratos veganos a partir de receitas tradicionais, você encontra opções com “porco”, “galinha”, “presunto” e até “camarão”. Além da comida ser deliciosa, o serviço é bastante simpático. Só fique atento para não chegar muito faminto pois sua fama se espalhou e ele tem ficado cheio nos horários de almoço e janta

Tunisiano perto da Igreja – M° Menilmontant
Essa é aquela opção da larica da madrugada. Situado na altura do n°4 da Rue Julien Lacroix, essa lojinha vende sanduíches tunisianos com diversos recheios e fica aberta até umas 2h. Se você não curte pimenta avise antes, pois eles capricham!

Barracão – Rue Oberkampf, M° Parmentier ou Menilmontant **
Quando bater a saudade do Brasil, corra pra lá: Tem feijoada, moqueca de camarão, ximxim de galinha e até caipirinha de maracujá. Claro, não queira comparar os temperos, mas os cartazes da Brahma com Sheila Melo e Sheila Carvalho e os DVDs da Beth Carvalho vão fazer você se sentir na laje de domingo.

East Side Burguer – 60, Bv Voltaire, M° St Ambroise
Esse restaurant infelizmente não tive tempo de conhecer, mas fiquei na curiosidade, então passo a dica: um fast food 100% vegetariano, com uma cara bem simpática

12e

Ekko – M° Blibliothèque François Mitterand
Uma opção prática e saudável, a rede de fast food saudável Ekko tem em vários lugares, mas sugiro essa da Rue Tolbiac porque fica perto da BNF, e não tem nada de bom para comer lá por perto. Os preços são um pouco salgados mas visto a falta de opção da região e a qualidade e variedade de combinações, vale a pena.

13e

Chez Gladines – rue Butte aux Calles, M° Place d’Italie
Esse restaurante é super recomendado por vários amigos, mas como não como carne não tenho muito que fazer por lá rs. Especializado em comidas das montanhas (leia-se super calóricas), é famoso pelo pato assado e raclette (batatas assadas com queijo).

18e

Pizza Pomodoro– M° Abesses *
Localizada na Rue Trois Frères, essa pizzaria atrás da Place d’Abesses  é boa e o preço em conta. Na região tem vários barzinhos se a ideia é esticar a noite.

19e

L’Alliance – M° Laumière **
Na esquina da Av. Jean Jaurès com a Rue de Crimée esse restaurante simpático serve um delicioso cuscus (prato típico marroquino) nas quintas à noite. E o melhor: de graça, você só paga as bebidas que consumir! Atravessando a rua tem uma loja de deliciosas especiarias turcas, se quiser garantir o café da manhã do dia seguinte ou simplesmente esticar a noite beliscando aperitivos com vinho no Canal de l´Ourcq

20e

Le Roleau de Printemps – Rue des Toutilles, M° Belleville ***
Mais um restaurante que não é francês e tá na lista dos favoritos: esse vietnamita serve deliciosos pratos típicos, e em especial recomendo o ótimo peixe com leite de côco enrolado na folha de bananeira (a única brecha que eu abro na minha vida vegetariana), que vai super bem com o “riz gluant” (uma espécie de arroz coladinho). Chegue cedo (até 20h no máximo) pois lá sempre tem fila, e o atendimento não é dos mais rápidos. De sobremesa, recomendo o “confit de gingembre”, deliciosas lasquinhas de gengibre açucaradas. Na sequência, vale esticar tomando uma cervejnha no badalado Aux Folies. Atenção: o Roleau de Printemps não abre às quartas!

 

Noite

1e, 2e

Jazz na Rue des Lombards – M° Châtelet **
A rue des Lombards é conhecida por seus clubes de jazz,como o Sunset Sunside, Le Baiser Salé e o Duc des Lombards. Vale uma olhadinha no site antes pra conferir a programação e não se assustar com os preços na hora. Eles geralmente enchem nos fins de semana, e dependendo do show é possível comprar com antecedência.

Barzinhos – M° Etienne Marcel, Les Halles e Châtelet
A região do Châtelet é uma das mais movimentadas nos fins de semana à noite. De restaurantes a boates, uma volta pelas ruas Saint Denis e Etienne Marcel pode render umas boas taças de cerveja ou vinho e até uma boa paquera.

4e

Quartier Latin – M° Saint Michel *
O Quartier Latin é conhecido por ter sido um ponto de encontro das intelectualidades de esquerda nos anos 60, embora hoje seja basicamente um bairro turístico e burguês (ou “bôbô”, na gíria parisiense). Mas o charme continua lá, e vale a pena se perder à noite pelos restaurantes, bares e casas de jazz do quarteirão.

Quai Saint Michel, Notre Dame – M° Saint Michel **
Especialmente delicioso no verão, as beiras do Rio Sena (ou “quai”) são ótimas para uma noite de vinho e violão, além de receberem oficinas de tango e salsa nas tardes de férias. Estacionados ao longo do rio, os barcos (“peniches”) também promovem festas.

5e, 6e

The Wall / Rue Mouffetard – M° Place Monge e Cardinal Lemoine **
Situado na Place Contrescarpe, no início da badalada Rue Mouffetard, o The Wall toca música boa e uma vez por semana serve o que deve ser a cerveja mais barata da cidade: 3 euros a pinte (meio litro). Seu nome não é à toa, a decoração interior é toda com capas de disco do Pink Floyd. Além disso, a rua Mouffetard é uma das mais badaladas à noite, e tem algumas opções de crepe para comer em pé na rua (literalmente, pois na praça não há bancos e as mesas são reservadas aos clientes dos restaurantes). A dica: o grego azul no fim da rua, o crepe é gigante e gostoso, boa sorte!

10e

barzinhos Faubourg Saint Denis – M° Chatêau d’Eau
A região do Chatêau d’Eau é uma das melhores pedidas se você quiser tomar uma cerveja tranquilamente e sem gastar muito. Frequentada por moradores e trabalhadores da região, são diversas opções de barzinhos simpáticos e sem muito luxo. O meu preferido é o Le Meteor, que fica em frente ao Studio Bleu, o atendimento é super amigável e os pratos lá são deliciosos também, se bater aquela fome.

New Morning – M° Chatêau d’Eau **
Ótima pedida para shows de “World Music”, leia-se jazz manouche, reggae e ragga, música balcan, cantores novos e até música brasileira. Confira na internet a programação e compre com antecedência se for um show que você queira muito ir.

Favela Chic – M° République
Mais pra Chic do que pra Favela, esse bar/boate fica muito bem situado na Rue du Faubourg du Temple, tem gente bonita e decoração estilosa . Mas não vá esperando encontrar música brasileira “raiz” – não é a especialidade da casa embora as festas de lá serem boas estarem sempre cheias. Dica para não gastar muito: A mercearia embaixo vende cerveja pela metade do preço, vale uma passadinha por lá antes.

11e

Rue de Lappe – M° Bastille **
Como o próprio nome indica, é a “rua da Lapa” rs. Super movimentada nos fins de semana, tem opções pra todos os gostos: pop, salsa, rock, hip hop, e por aí vai. Começando pela esquina com a Rue de La Roquette, você pode passar pela rua inteira observando o movimento, e chegando na Rue de Charonne você pode virar à esquerda e pegar a Passage Thiré para curtir uma onda hype-cult no Mécanique Ondulatoire  ou à direita e terminar a noite enfiando o pé na jaca no Bario Latino ou Corcoran’s.

La Fée Verte – M° Bastille ou Voltaire *
Se a ideia é apenas tomar um drink tranquilamente no início da noite, o Fée Verte, localizado bem no meio da Rue de la Roquette serve absinto de verdade com direito a colherinha de açúcar e um pãozinho aperitivo delicioso.

Alimentation Générale Rue Jean Pierre Timbaud, M° Parmentier ***
Uma das melhores pedidas para sair para dançar, o Alimentation Générale recebe vários shows e festas bacana (inclusive aos domingos). Vale dar uma conferida no site e, dependendo da atração, chegar cedo pois a fila pode ir até a esquina. Mas não se iluda com o nome: as opções de comida não são o forte deles.

QG (Quartier Général) – Rue Oberkampf, M° Parmentier ou Menilmontant
Embora não tenha nada demais, esse bar na esquina da Rue Oberkampf com a Rue Saint Maur está sempre cheio: é um dos últimos a fechar na rua. Fica a dica para aquelas noites que parecem não querer terminar.

Le Charbon -  Rue Oberkampf, M° Parmentier ou Menilmontant
Assim como o QG, o charbon é um dos últimos a fechar, mas as bebidas são mais caras e a decoração interior super estilosa. Depois de 02h (quando os bares fecham), as entradas começam a ficar seletivas, e é provável que você fique rodando a Rue Oberkampf em busca  de um humilde bar para tomar a saidera – não desanime, você não é o único!

The Blue Billard – M° Parmentier ou Menilmontant *
Perto do burburinho da Oberkampf, esse bar quase que desapercebido na altura do n° 11 da Rue Saint Maur tem cerveja barata,sinuca e uma pista de mini bowling – com desconto para aniversariantes.

Le Père Populaire – M° Avron **
Barzinho super agradável com sofás e jogos de tabuleiro à disposição (embora ninguém use), a cerveja é super em conta e a tábua de queijos e frios ajuda a matar a fome.

13e

Quai de la Gare – M° Quai de la Gare ou Bercy *
Na beira do Sena na altura do parque de Bercy, e em frente à Biblioteca Nacional François Mitterand, abriga diversos barcos com festas de diferentes estilos. Minhas sugestões são o Petit Bain (que sempre recebe festas brasileiras) e o Batofar (com soul e black music).

18e

barzinhos em Montmartre – M° Abesses, Pigalle, Blanche *
A noite entre o metrô Abesses descendo em direção a Pigalle ou Blanche sempre tem um burburinho, vale dar uma volta por lá e escolher um bar ao acaso se estiver pela área.

Théâtre de Verre – M° Max Dormoy ou Porte de la Chapelle **
Essa associação cultural pouco conhecida recebe exposições, grupos de teatro e festas bacanas. Destaque para o delicioso Bal Populaire um sábado por mês: música boa, gente bonita e cerveja barata. Mas chegue cedo: para não incomodar os vizinhos e evitar problemas com a polícia, a partir das 20h a entrada fecha e o baile acaba às 22h.

19e

Point Ephemère quai de Valmy, M° Jaurès *
Localizado no final do Canal St Martin, esse bar de black music foi a pedida certeira durante muitas sextas feiras. Atenção: é bem chatinho de pegar taxi na volta, prepare-se para andar até a Gare de l’Est pra conseguir pegar um.

Aux petits joueurs – M° Place des Fêtes ou Botzaris *
Escondido lá pra cima da Place des Fêtes, essa casa de jazz fica na Rue Mouzaïa n° 59 e recebe de Jam sessions a jazz manouche, dependendo do dia da semana. A cerveja é barata e o atendimento gente fina.

Rosa Bonheur – M° Botzaris **
Um dos bares preferidos dos parisienses, o Rosa Bonheur (“felicidade rosa”, veja só rs) fica localizado no alto do Parque Buttes Chaumont. O ambiente é ótimo e a música boa, mas a fila gigante a partir de determinado horário, principalmente aos domingos, é desanimadora.

20e

Aux Folies – M° Belleville ***
Saindo do metrô e olhando para a Rue de Belleville subindo, a movimentação e a luz vermelha devem chamar a sua atenção. Um dos meus bares preferidos, a decoração interior é toda feita de colagens de revistas antigas e o banheiro pode te prender por horas se divertindo com as montagens com imagens de celebridades. A cerveja é em conta e o atendimento amigável.

Café Chérie – M° Belleville **
Caso o Aux Folies esteja muito cheio para conseguir uma mesa, a segunda boa opção é esse bar igualmente avermelhado subindo a Rue de La Villete, n° 44. Música animadinha no interior, as calçadas ficam tomadas de mesas e parisienses durante o verão.

Lou Pascalou – M° Menilmontant *
Bar simpático e escondido atrás do metrô de Menilmontant, o Lou Pascalou fica no 14, Rue de Paynoaux.

Les Idiotes – M° Menilmontant *
Bar simples, muito simpático, música boa e menu de aperitivos apetitosos, esse bar fica na Rue Menilmontant seguindo em direção ao cemitério Père Lachaise no lado direito da calçada.

Studio Ermitage – M° Jourdan ou Menilmontant **
Se você quiser curtir uma boa roda de samba, não pode deixar de conferir a Roda do Cavaco uma vez por mês no Studio Ermitage. O grupo é formado em sua maioria por cariocas e coloca todas as nacionalidades pra dançar. Fica no 8, rue Ermitage.

Studio Rigoles – M° Jourdan *
Ainda na onda saudades do Brasil, todas as sextas o Studio Rigoles recebe oficinas de forró do Petit Bal Perdu, seguidas de DJ e banda convidada. O público não é dos melhores se você quiser um bom arrasta pé, mas vale para conferir e matar as saudades, já assisti até Raiz do Sana por lá.

Bellevilloise – M° Menilmontant ou Gambetta ***
Uma das casas mais estilosas de Paris, na minha opinião, a Bellevilloise mistura jantar, barzinho chill out e pista de dança em três ambientes diferentes todos os finais de semana. Vale conferir no site deles a programação. O endereço é 19-21 Rue Boyer.

Mama Shelter – Rue de Bagnolet, M° Gambetta **
Se você quer levar alguém para jantar num lugar especial ou simplesmente curtir uma noite muito estilosa, o Mama Shelter é a pedida. O bar – restaurante fica em baixo do hotel (que serve também de motel, mas lá não existe tal empreendimento), serve um menu sofisticadíssimo,a música é ótima e só a decoração do lugar vale a ida.

Compras

1e, 2e

Forum Les Halles – M° Les Halles
Shopping com tudo que um shopping tem (inclusive um dos cinemas com a maior quantidade de salas da cidade). Prático para aquelas compras finais, na falta de tempo.

Brechós Marais – M° Arts et Métiers, Saint Paul ***
Com calma e sorte você encontra os brechós mais descolados da cidade e refaz seu guarda roupa com estilo e gastando muito pouco

4e

Livrarias Gilbert Jeune e Gilbert Joseph – M° St Michel **
Maior rede de livros novos e usados, as lojas são separadas por áreas temáticas (todas espalhadas no entorno da Place St Michel): economia, direito, ciências humanas, letras, etc. Uma delícia.

Livraria Shakespeare and Co – M° St Michel *
Além de ser super bonitinha, tem apenas títulos em inglês, e algumas relíquias. Um pouco cara, mas vale o passeio.

Farmácia Rue du Four – M° St Germain de Près
A farmárcia mais famosa de Paris, lá você encontra cosméticos com o melhor preço, e atendentes pra ajudar a achar o melhor produto. Vale fazer uma listinha antes e ir lá de uma só vez.

5e, 6e

Galeries Lafayette / Boulevard Montparnasse – M° Montparnasse
Famosa Galeria Lafayette, tem várias lojas de marca (também tem uma no metrô Chausséee d’Antin La Fayette). Ao longo do Bv Montparnasse, diversas lojas como H&M, Zara, Fnac, etc.

12e

Rue Montgallet – M° Montgallet
A melhor opção para comprar produtos de informática. Dica: comece pelo fim da rua e venha subindo pesquisando os preços, que variam de acordo com a proximidade do metrô.

18e

Rue Pigalle (sexshops) – M° Pigalle *
Se você quer incrementar sua vida sexual ou apenas dar umas boas risadas, não pode deixar de passar por aqui.

lojinhas em Montmartre – M° Abesses, Blanche
Boa opção para comprar souvenirs, os preços são relativamente em conta (mas não se esqueça que ainda é para turistas), e vale o passeio no bairro de Montmartre

Guerrisol – M° Barbès ou Marcadet Poissonières *
Um grande achado se você tiver paciência e nenhuma frescura. Frequentando pelos moradores locais do bairro africano, vasculhando você encontra peças de usadas em bom estado com preços que variam entre 3 e 10 euros, e a coleção ainda varia toda semana.

Tati (loja de departamento barata) – M° Barbès
Loja de departamento com preços muito em conta e um pouco de tudo: utensílios pra casa, produtos de beleza, roupas, brinquedos. Se você busca qualidade ou ética, não vá: muitos dos produtos são de qualidade duvidável, e não me surpreenderia saber que alguns vêm de mão de obra escrava.

Marché aux Puces – M° Porte de Clignancourt
Se você gosta de velharias, esse é o seu lugar, Um dos maiores mercados de pulgas da cidade, abre aos Domingos e enche de moradores locais. Dica: chegue cedo!

Et bon voyage!

ceu_de_paris

Entre tópicos e trópicos

Muito se fala da Tropicália. Muito já se falou, e muito ainda se vai falar. Parece que o projeto de Caetano de trazer o Brasil para a Segunda Revolução Industrial, segundo Tom Zé, foi alcançado. Há os que gostem menos, há os que gostem mais, mas uma coisa não se pode negar: A Tropicália marcou o imaginário popular do país.

Naquele momento, a ditadura militar buscava assolar uma criação artística da qual muito pouco ou nada compreendia, sob a forma da censura. Em resposta – e em convergência – a televisão em expansão canalizava as inquietudes de toda uma geração, que se reconhecia em figuras populares quase que eleitas para representá-las na telinha. Uma narrativa de país era construída no eixo Rio – São Paulo e se propagava por satélite com mais velocidade do que se poderiam construir rodovias. Não é à toa que o sistema brasileiro de televisão e publicidade nos anos 60 e 70 foi em grande parte financiado por recursos governamentais, este, por sua vez, apoiado pelos vizinhos do andar de cima estadunidense e seu projeto capitalista em plena Guerra Fria.

Ao mesmo tempo, no mundo inteiro uma juventude começava a questionar valores morais da sociedade, cada qual em seu contexto particular: contra a guerra, contra o consumo, contra o sistema educativo, contra o regime militar. Naturalmente, os ventos revolucionários não demoraram a chegar no país, desflorando também suas contradições internas. E como nem a sociedade nem a juventude – e nem a arte – são tão simples a ponto de se limitarem a uma rivalidade entre engajados e alienados, foram estes encontros e desencontros territoriais e afetivos que construíram a narrativa deste período da nossa história. Mas todo conto fica mais atraente com mocinhos e vilões. Assim, passeatas, festivais e ismos foram registrados num imaginário coletivo, que embora já tantas vezes re-contado, sempre tem algo novo a revelar.

Mas e aí, a História parou?

Se a Tropicália foi naquele momento um grande catalisador de subjetividades em torno de uma recusa ao dualismo que colocava a MPB versus o iêiêiê, ela também contribuiu para a construção deste mesmo cenário. A televisão popular que permitia o diálogo com um público mais amplo centrava seus holofotes mais no “ismo”do que no “ália”. O tropical visto apenas como uma alternativa mais criativa e impactante, ofusca – até hoje - um questionamento mais profundo: como “desenquadrar” as formas de pensamento e compreensão da realidade, ontem, hoje e sempre, em, seus contextos culturais, políticos e econômicos específicos?

Isso não significa de alguma maneira buscar novos heróis tropicalistas para nos salvar da caretice habitual. Muito pelo contrário. Se bem entendemos as entrelinhas, a questão é: quais são as margarinas, Carolinas e gasolinas das quais precisamos saber, e quais prateleiras, estantes e vidraças que devem ser derrubadas hoje?

Aquele país que se dizia do futuro já chegou no presente, e está construindo a pleno vapor o futuro, que está batendo à porta. Mas hoje a ditadura mudou de ditador, a crise mostra que dez anos depois uma nova globalização não apenas é possível mas necessária e os novos heróis do imaginário popular estão mais no Youtube que na televisão.

E se a Tropicália já ganhou estantes da mesma elite que ela criticava, é preciso ressignificá-la. Ou melhor, inventar outra. Ou qualquer outra coisa. Tanto faz. Como Guattari dizia, o grande interesse é ter um “ponto de encontro de novas subjetividades”, em torno de uma motivação comum.

Assim, quando falamos de “Tropifagia” é no sentido de resgatar o “tropical” que há dentro das mais diversas manifestações da cultura brasileira, uma brincadeira ‘semântico-linguística’ que significa comer (fagia) os trópicos, ou o país tropical (tropi). Se antropofagia oswaldiana propunha comer o homem exterior em busca de uma re-significação da identidade cultural brasileira, a empreitada tropicalista tratou de proporcionar empiricamente o encontro de referências nacionais e estrangeiras, e a trupe do Maguebeat misturou as raízes do mangue com as tecnologias do beat internacional num mesmo prato tropical e original.

A proposta da Tropifagia é então voltar os olhares ao país tropical já hibridizado, já saboreado lá fora, e redescobrir um Brasil múltiplo, diverso, e muitas vezes, mesmo contraditório. Os Pontos de Cultura, por exemplo, deram este importantíssimo passo de “desvendar o Brasil debaixo pra cima”, e agora este mesmo Brasil se reencontra de forma protagonista, autônoma e empoderada e se mobilizando em rede(s).

Tropifagia é uma estética, um exercício, eu diria até uma “metodologia”, pra soar bonito. Os chatos de plantão vão dizer que é mais uma moda da juventude burguesa folclórica. E pode ser mesmo. Se for para explorar a subjetividade artística de cada indivíduo envolvido, tendo o processo como mais importante do que o produto, podem chamar do que quiser. Eu apenas acho que ”é proibido proibir”.

Marco Civil da Internet: entre o lobby e a liberdade

Artigo excelente do Guilherme Varella, com um debate de extrema importância para uma internet livre, e que diz respeito a tod@s @s cidadãos.

Publicado originalmente em:  http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/colunas/58690/marco+civil+da+internet+entre+o+lobby+e+a+liberdade.shtml

 

 

Há cerca de dois meses, escrevemos que o Marco Civil da Internet, a principal proposta de estabelecimento de direitos civis na rede, estava na marca do pênalti (“Marco Civil na marca do pênalti”, 05/09/12), pronto para ser cobrado. Prestes a ser tento comemorado pela sociedade brasileira. No entanto, dois lobbies econômicos muito poderosos conseguiram, além de alterar o ótimo texto do projeto de lei, impedir sua votação: o lobby da indústria autoral e o das empresas de telecomunicações. Na última quarta-feira (7/11), mesmo com a bola no pés, Governo e deputados não cobraram o pênalti. E, se tivessem cobrado, seria um chutão pra lua.

O Marco Civil da Internet – que tramita agora através do PL 5.403/2001 – estabelece os princípios, objetivos, direitos, obrigações e responsabilidades na rede. É a base legal para a cidadania virtual, para o tratamento isonômico dos usuários, para a não discriminação de sua navegação e para a concretização de uma Internet efetivamente livre: para a expressão, para a troca, para a criação, para a inovação, enfim, para o desenvolvimento. É por isso que a proposta elenca, como um de seus princípios, a neutralidade da rede, para evitar que interesses econômicos injustificados se sobreponham ao direito de todos se manifestarem e usarem a rede como quiserem. E é por isso também que o projeto estabelecia, no seu artigo 15, a retirada de conteúdos do ar apenas com decisão judicial, após realizado o contraditório e a ampla defesa, em plena consonância com os pilares do Estado democrático de direito. Trata-se de priorizar a liberdade de expressão e o direito de acesso e afastar a censura privada na Internet.

Retirada de conteúdo sem ordem judicial

Grifamos, aqui, “estabelecia”, pois o último substitutivo apresentado trouxe uma exceção para a remoção de conteúdos que traz grande insegurança jurídica para a Internet e sérios danos aos usuários. O Marco Civil estabelece, como regra, que os provedores de aplicações na Internet (plataformas, redes sociais, portais) somente serão responsabilizados civilmente se não retirarem um conteúdo após receberem um ordem judicial. Com isso, a tendência é que os conteúdos sejam mantidos, respeitando a liberdade de quem postou e o direito de acesso dos internautas a eles. Sistema equilibrado, na perspectiva de uma Internet livre e democrática. Contudo, o novo texto traz uma exceção para conteúdos protegidos por direitos autorais, aos quais não valerá essa regra. Isso pode permitir a interpretação de que não é necessária a avaliação judicial para remoção. Dessa forma, há o risco de esses conteúdos prescindirem da decisão de um juiz para serem removidos, ainda que a Justiça tenha que ser soberana. Cria, assim, um mecanismo que induz os provedores a excluírem o conteúdo, a partir de uma simples notificação, para evitar serem responsabilizados. Ou seja, mesmo que não haja comprovação de que determinado conteúdo (vídeo, foto, música) viola direito autoral, uma simples notificação do eventual titular é suficiente para que o provedor, num julgamento privado, retire esse conteúdo do ar, com medo de ser penalizado. Caberá depois ao usuário prejudicado, geralmente com menos condições para isso, o ônus de procurar a Justiça para reaver seu conteúdo suprimido.

Nesse momento, é importante questionar: como e por que se deu essa alteração, de última hora, e com que finalidade?

A resposta é: lobby. A indústria do copyright que, diferentemente do que se pensa, é composta menos por autores e mais por intermediários da indústria cultural – dentre os quais a ABDR (Associação Brasileira de Direitos Reprográficos), a ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos) e a  MPAA (Motion Picture Association of America), ou seja, a indústria de Hollywood, além de Globo e outros barões do entretenimento -, tem se empenhado energicamente, e nos bastidores, para incluir no substitutivo uma dinâmica própria para os direitos autorais. Essa tentativa, entretanto, já foi abolida na discussão pública do Marco Civil e nem cabe nessa seara legislativa. A discussão dos direitos autorais tem local certo: é a reforma da Lei 9.610/98 (Lei de direitos autorais – LDA), pública e aberta, conduzida desde 2007 pelo MinC (Ministério da Cultura). Tanto que a própria Ministra da Cultura, Marta Suplicy, corretamente, chamou a responsabilidade desse debate ao MinC e à LDA, respondendo inclusive à carta de representantes desse setor.

Os intermediários do direito autoral querem incluir o sistema de retirada de conteúdos sem ordem judicial no Marco Civil, pois sabem que os setores artísticos e culturais, especialmente aqueles que conhecem e se utilizam do potencial da Internet para a produção, a circulação e o consumo da cultura, não querem esse tipo de censura na rede, e também não vão permiti-la na LDA, por ferir a liberdade de expressão cultural. Incluir esse sistema é legalizar algo que esses intermediários já realizam massivamente na prática: a indústria da notificação. Se a premissa da remoção de conteúdo apenas com ordem judicial não valer para conteúdos de direitos autorais, a decisão vai se dar em âmbito privado das relações entre os provedores e os titulares empresariais, a partir da notificação privada de representantes de titulares, que não precisarão nem comprovar a sua legalidade – afinal, provedor não é tribunal para julgar se algo é legal ou não. Em suma: institucionaliza-se a injusta máquina de notificações e censura prévia (inconstitucional, por sinal) e se invalida a regra geral de retirada apenas com o devido processo legal.

Caso se mantenha no texto essa descabida exceção para os direitos autorais, haverá uma avalanche institucionalizada de notificações extrajudiciais, que se servirão dessa imprecisão jurídica para remover indiscriminadamente os conteúdos postados na rede, independentemente se protegidos ou não. Como lei responsável por estabelecer o quadro regulatório geral da Internet, o Marco Civil não deve tratar de questões específicas de direitos autorais, tampouco através de um dispositivo complicador como este. Deve deixar este assunto para a reforma da Lei 9.610/98, em curso. Assim, é imprescindível suprimir o parágrafo segundo do artigo 15.

O lobby das teles

O segundo ponto problemático diz respeito ao princípio da neutralidade. Ela é a garantia da não discriminação de tráfego na rede. Sua importância é indiscutível e tamanha, a ponto de sua regulamentação ter que se dar pela mais alta instância do Executivo: a Presidência da República. O instrumento cabível seria um decreto, ouvido o CGI (Comitê Gestor da Internet), a entidade tecnicamente mais apta a detalhar esse princípio, era o que previa o texto do Marco Civil. Até o último texto, do qual o CGI foi excluído, atendendo a um outro lobby, fortíssimo, das empresas de telecomunicações. O atendimento a esse pedido foi tão solícito que coube a um ministro de Estado levá-lo a cabo. Paulo Bernardo, Ministro das Comunicações, teria declarado publicamente, antes mesmo da (não) aprovação pelo plenário, que seria melhor, de fato, a neutralidade ser regulamentada pela Anatel. Exatamente como querem as teles. Estranho, pois o substitutivo do PL nunca se referiu à Anatel, mas dava esses poderes ao Executivo – posteriormente, quiçá, ao Ministério das Comunicações, num eventual decreto.

O fato é que, agora, escancarou-se a união das teles e do Governo no mesmo desejo: a regulação da neutralidade pela Agência. Motivo mais que suficiente para que se reforce a regulação por Decreto, com essa previsão literalmente expressa no próximo texto a ser votado. Parece ser a vontade do relator do PL, deputado Alessandro Molon, que tem se empenhado em manter uma lei equilibrada e coerente.

Caso isso não ocorra, mais uma vez vencerá a pressão das empresas sobre o interesse público. A mesma pressão realizada contra os parâmetros de qualidade para a banda larga, serviço que elas mesmas prestam. A pressão que impediu o CGI de fiscalizar tais parâmetros, transferindo essa competência para uma consultoria ligada às teles. A pressão que faz com que não avancemos na obrigação das empresas de entregarem efetivamente a velocidade que anunciam na publicidade – e não apenas 20% dela, como é hoje. Enfim, a pressão que não quer a neutralidade da rede no Brasil, pois se ganha dinheiro controlando indevidamente o tráfego dos usuários.

Por isso, é essencial que o substitutivo do Marco Civil da Internet que vai ao plenário da Câmara na próxima terça-feira (13/11), não ceda às pressões econômicas. É preciso que os deputados e deputadas olhem para construção coletiva da sociedade e para o que a Internet significa para ela. O Projeto de Lei do Marco Civil é positivo, avançado, a melhor proposta para regulamentação da Internet no mundo. Não é hora de maculá-lo com abjetos interesses privados. Assim, é essencial que se exclua o parágrafo segundo do artigo 15, removendo qualquer exceção para o direito autoral, por justiça e cabimento – já que isso é papel da reforma da lei de direitos autorais. E, além disso, que a neutralidade seja de fato regulamentada por decreto da Presidenta da República, por ser algo da mais alta importância para a Internet brasileira. Sem atravessamentos e sem jogos de interesses escusos. É preciso aprovar o Marco Civil. E ter uma Internet com menos lobby e mais liberdade.

 

Assine a petição pública pela revisão do Marco Civil da Internet, que será encaminhada ao relator do projeto, o deputado Alessandro Molon:

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N31813

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 43 outros seguidores