1.2 – Os EUA e a Guerra do Vietnã

No centro dos protestos, estava um Estados Unidos repleto de contradições. Apesar do vertiginoso crescimento econômico, a paranóia anticomunista da Guerra Fria, as desigualdades sociais e o moralismo norte-americano dividiam a população. Assim como em outros lugares do mundo – guardadas as devidas proporções – surgiam movimentos civis de críticas às idéias elitistas, à hipocrisia e à alienação da sociedade norte-americana, reivindicando maior liberdade na vida cotidiana, além de fazer oposição, é claro, à Guerra do Vietnã.

Além das manifestações contra sua política militar externa, uma parcela significativa da sociedade norte-americana começa a contestar nessa década seus próprios valores e preconceitos. Valendo-se da imagem democrática que o país buscava projetar por causa da Guerra Fria, o movimento negro ganhava força denunciando a contraditória realidade das relações raciais, a pobreza e a discriminação aos quais eram submetidos os negros dos EUA. Tiveram assim um importante papel na expansão do Estado do Bem Estar Social no país – por outro lado, uma das principais ferramentas do “American Way of Life” que tentava-se imprimir no mundo capitalista. Em busca de reconhecimento e igualdade de direitos e oportunidades, buscaram alterar as relações políticas, raciais e sociais no país. O uso de canções e comícios aproximou brancos da luta dos negros, muito em parte devido ao carismático líder Martin Luther King, pastor da Georgia que propunha a luta por direitos civis de forma não-violenta – também em resposta opositiva à Guerra do Vietnã. O Partido dos Panteras Negras, importante e até hoje lembrado na luta militante contra o racismo, buscava garantir serviços sociais para a comunidade negra a partir de um “nacionalismo cultural”. E ativistas e militantes, como o líder mulçumano Malcom X, proporcionaram visibilidade ao black power valorizando tradições afro-americanas e apoio a movimentos revolucionários no Terceiro Mundo. As estratégias, ideais e coragem do movimento negro americano inspiraram sindicalistas, feministas, lésbicas e gays, povos indígenas e imigrantes não só nos Estados Unidos como no mundo.

Sobre Aline Satyan

Aline Satyan é formada em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Indústrias Criativas pela Universidade Paris 8 e autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: Da Tropicália aos Pontos de Cultura”. Com experiência em políticas culturais e programas de formação para a cultura, trabalhou em diferentes projetos na esfera governamental e universitária. Há alguns anos tem se dedicado a estudar processos de colaboração e atuar como educadora, facilitadora de grupos e consultora de gestão em organizações culturais. Certificou-se em design para sustentabilidade no Programa Gaia Education na ecovila Terra Una (Liberdade, MG) em 2014, Aprofundamento em Dragon Dreaming na Pedra do Sabiá (Itacaré, BA) em 2015 e em Design Permacultural no Instituto Pindorama (Nova Friburgo, RJ) em 2016. É coordenadora do programa Gaia Jovem Serrano, co-fundadora da Cena Tropifágica e da Txai Design de Experiências, e sua principal busca atualmente é por uma vida de consciência, criatividade e em cooperação. Para saber mais: https://www.facebook.com/gaiajovemserrano/ https://www.facebook.com/txaidesigndeexperiencias/ http://www.cenatropifagica.com/

Publicado em 02/10/2008, em Uncategorized e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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