1.3.1 O movimento hippie

Em resposta à violenta intervenção norte americana no Vietnã, muitos preferiram reagir de forma pacifista, criticando autoridades e os valores da classe média adotando estilos alternativos de vida. Surgiam naquela época diversas comunidades alternativas – em sua maioria longe dos centros urbanos- , onde buscava-se uma vida mais simples e livre, e onde os instintos não fossem reprimidos pela moral e pelo consumista padrão de vida ocidental.

Mas o movimento hippie não se limitava a esses pontos alternativos e se refletiam em novas posturas e práticas sociais: os cabelos cresceram, defendia-se o uso de drogas – principalmente a maconha e o LSD – para a alteração do estado de consciência e o amor livre era bandeira da experimentação contra a repressão moral.
O lema “faça amor, não faça a guerra” revelava o espírito libertário dos movimentos pacifistas daquela geração, que crescia em todo o mundo. Sua maior manifestação foi o festival Woodstock em outubro de 1969, em uma fazenda em Nova Iorque, onde se apresentaram diversos artistas que de alguma forma se relacionavam com as propostas do movimento hippie: o folk, com seu pacifismo e sua contundente crítica social; o rock, com sua contestação ao conservadorismo dos valores tradicionais; o blues, com sua melancolia que há décadas já mostrava as contradições da sociedade norte-americana; e a cítara de Ravi Shankar, representando a presença marcante da influência oriental na contracultura, entre outros. Entre drogas lisérgicas, amplificadores e muita lama, 400 mil pessoas reivindicavam outro modelo de sociedade, praticavam o amor livre e se opunham pacificamente à Guerra do Vietnã.

Além disso, a disputa ideológica da Guerra Fria buscava ignorar a diversidade cultural vinda do outro lado do planeta. Assim, a crescente opsição ao estilo de vida norte-americano, combinada com o desenvolvimento tecnológico que permitia o maior contato com outras realidades, fez com que muitos jovens se aproximassem da cultura oriental na busca por novos estilos de vida. A preocupação com o lado espiritual e o transcedentalismo popularizaram práticas como a yoga e a meditação. Gilberto Gil conta que quando foi preso, em 68, não via outra forma de sobreviver na prisão, em meio a tanta violência e incertezas, senão se voltando para si mesmo e buscando forças em seu eu interior. Assim, em seu exílio em Londres, buscou práticas orientais de meditação e espiritualidade, o que refletiu no alto grau de experimentação em seus trabalhos posteriores.

Também é dessa época a preocupação com produtos orgânicos e os estudos sobre a ecologia, que, para além da preocupação ambiental, busca o equilíbrio dos sistemas – princípios estes que foram aplicados inclusive na sociologia -, dando início aos primeiros movimentos ambientalistas que ganharam força na década seguinte.

Sobre Aline Satyan

Aline Satyan é formada em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Indústrias Criativas pela Universidade Paris 8 e autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: Da Tropicália aos Pontos de Cultura”. Com experiência em políticas culturais e programas de formação para a cultura, trabalhou em diferentes projetos na esfera governamental e universitária. Há alguns anos tem se dedicado a estudar processos de colaboração e atuar como educadora, facilitadora de grupos e consultora de gestão em organizações culturais. Certificou-se em design para sustentabilidade no Programa Gaia Education na ecovila Terra Una (Liberdade, MG) em 2014, Aprofundamento em Dragon Dreaming na Pedra do Sabiá (Itacaré, BA) em 2015 e em Design Permacultural no Instituto Pindorama (Nova Friburgo, RJ) em 2016. É coordenadora do programa Gaia Jovem Serrano, co-fundadora da Cena Tropifágica e da Txai Design de Experiências, e sua principal busca atualmente é por uma vida de consciência, criatividade e em cooperação. Para saber mais: https://www.facebook.com/gaiajovemserrano/ https://www.facebook.com/txaidesigndeexperiencias/ http://www.cenatropifagica.com/

Publicado em 02/10/2008, em Uncategorized e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Texto bem escrito, entretanto equivocado. O movimento retratado, ainda que “contra-cultura” não surge como o nome sugere (repercussão), mas sim como um desdobramento da revolução burguesa ocorrida na França quase um século antes. Veja os Beatniks por exemplo.- Shakespeare escreveu sobre isto no séc. XVI quando Romeu é reconhecido enquanto indivíduo e não como Capuleto ou Monteccio. OBs. Fazer remissão ao movimento Armorial, também da época.

  2. anônimo, valeu pela dica! mas não entendi exatamente o que vc quis dizer…rsse quiser mandar mais explicadamente pelo meu e-mail… alinecarvalhouff@gmail.commas obrigada mesmo assim, e continue comentando!

  3. Aline Carvalho podes não ter percebido nada mas ao menos não sejas puta

  4. Aline, escreva mais sobre o movimento hippie, eu tenho bastante interesse nessa área! Tanto o movimento hippie quanto tudo que toca a esfera do amor é bastante traumática e permanece um assunto taboo para muitos, tanto é que hoje podemos perceber uma extrema vulgarização dele na sociedade, que passou de uma concepção conservadora burguesa para seu extremo oposto multiculturalista! Se puder indicar algumas bibliografias seria bacana tambem!

  5. Eduardo RofersOla Aline!mandei um email pra ti solicitando algumas bibliografias, fico grato se puder ajudar com alguma coisa. Sou acadêmico de História da Universidade Estadual de Goiás e quero fazer um trabalho relacionado à esta área. abraço fica bem.força sempreRofers

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