1.3.2 O rock’n’roll

É importante assinalar a importância dos meios de comunicação de massa para configuração da contracultura da década de 60: “pela primeira vez, os sentimentos de rebeldia, insatisfação e busca, que caracterizam o processo de transição para a maturidade, encontram ressonância nos meios de comunicação”.

Aquela geração começava então a desenvolver uma cultura própria na música, na moda, na linguagem e os avanços tecnológicos da época os conectavam com a juventude do resto do mundo a partir de uma linguagem universal: o rock.
A música foi o principal canal de expressão daqueles ideais, e artistas como Jimi Hendrix, The Doors, Bob Dylan, Janis Joplin, Led Zepelin, The Beatles, Mick Jagger e a Tropicália brasileira – entre muitos outros em todo o mundo – faziam a trilha sonora de uma geração que buscava novas maneiras de viver e amar. O rock´n´roll – fusão explosiva do blues, jazz, folk e country – deixa de ser apenas um subproduto da indústria cultural que se consolidava naquela década e construía um discurso crítico social e comportamental na mídia, incorporando principalmente elementos da cultura negra que ganhava força nos EUA.

A experimentação e a quebra do padrão em relação aos formatos da música industrial era refletido no som dos britânicos Beatles, em seu emblemático álbum “Sargent Pepper´s Lonely Hearts Club Band”, que, por sua vez, influenciaram diversos movimentos musicais no mundo – como a própria Tropicália, que veremos adiante. Além disso, contestavam o papel do músico na sociedade de consumo através de intervenções artísticas politizadas – como a apaixonada e violenta versão do hino nacional executada por Jimi Hendrix no famoso festival de Woodstock, dando expressão à revolta e à confusão que marcavam a vida dos jovens da época.

Sobre Aline Satyan

Aline Satyan é formada em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Indústrias Criativas pela Universidade Paris 8 e autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: Da Tropicália aos Pontos de Cultura”. Com experiência em políticas culturais e programas de formação para a cultura, trabalhou em diferentes projetos na esfera governamental e universitária. Há alguns anos tem se dedicado a estudar processos de colaboração e atuar como educadora, facilitadora de grupos e consultora de gestão em organizações culturais. Certificou-se em design para sustentabilidade no Programa Gaia Education na ecovila Terra Una (Liberdade, MG) em 2014, Aprofundamento em Dragon Dreaming na Pedra do Sabiá (Itacaré, BA) em 2015 e em Design Permacultural no Instituto Pindorama (Nova Friburgo, RJ) em 2016. É coordenadora do programa Gaia Jovem Serrano, co-fundadora da Cena Tropifágica e da Txai Design de Experiências, e sua principal busca atualmente é por uma vida de consciência, criatividade e em cooperação. Para saber mais: https://www.facebook.com/gaiajovemserrano/ https://www.facebook.com/txaidesigndeexperiencias/ http://www.cenatropifagica.com/

Publicado em 02/10/2008, em Uncategorized e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Sem dúvida a reesonância do rock é intensa e a q reverbera atemporalmente com mais consistência, sendo a “contracultura” mais dissonante até quando está em evidência, como foi o surgimento do Nirvana numa época em q a música pop estava saturada de clichês e posers.Parabéns pelo Blog e boa sorte na monografia.

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