Capítulo 1 – O mundo na década de 60

1 – O contexto mundial

[Guerra Fria]
Com o fim da 2º Guerra Mundial em 1945, foi instaurado no plano mundial um momento de tensão entre os dois maiores blocos políticos daquela época, que giravam em torno da União Soviética (URSS) e dos Estados Unidos, que haviam unido forças para derrotar a Alemanha nazista. Se no leste europeu tornava-se cada vez mais forte a proposta socialista da URSS, sob o regime totalitário de Joseph Stalin, do lado ocidental os EUA viviam um momento de grande crescimento econômico, e o capitalismo se consolidava como ordem social, econômica e política para os países a ele aliados. Este momento ficou conhecido como “Guerra Fria” pois a enorme tensão só não era maior do que o medo mundial de uma nova guerra que, com os avanços tecnológicos da indústria bélica dos últimos anos, terminaria em uma catástrofe nuclear. Assim, o conflito ficou durante muito tempo no plano ideológico, o que se por um lado acirrava a disputa pela hegemonia política a nível global, por outro acabou levando a intensos embates e reformulações a nível local, dentro da dinâmica dos próprios países. Assim, EUA e URSS iam conquistando aliados na construção de uma nova ordem mundial.

[ditaduras]
A grande quantidade de países sob ditaduras a partir da década de 60 refletia na população um sentimento de contestação daquela ordem, e mesmo nos países onde o regime não era ditatorial, a atmosfera repressiva parecia inquietar a população – principalmente jovens universitários, que viriam a ser os principais atores das transformações que estavam por vir. E, embora houvessem divergências a respeito do modelo político ideal e como este seria implementado, de um modo geral aquele momento demandava das pessoas uma tomada de posicionamento, que acaba por ser infiltrar em diversas esferas da vida: do trabalho ao sexo, tudo era político. O jornalista Alípio Freire afirma que “havia uma ditadura que, da mesma forma como perseguia o cabeludo, perseguia a moça liberada sexualmente e o militante de esquerda. Foi ela que politizou todo o movimento e colocou todos juntos nas passeatas pela democracia” .

[influências e o desejo de revolução]
Com a radiodifusão pela televisão que consolidava naquela época, a Guerra do Vietnã causou comoção mundial a partir do efeito midiático provocado pela veiculação das imagens do confronto, fazendo com que até a opinião pública norte-americana retirasse seu apoio à ação armada. Em diversos países, as manifestações contra tal intervenção provocavam choques entre a polícia e a população – em sua maioria jovens universitários – que também protestava contra os regimes totalitários em seus países. Alguns acontecimentos como a Revolução Cubana – especialmente nos países da América Latina, como o Brasil – tornaram-se referências comuns na época, unindo parcelas de jovens de diversos países por uma mesma causa: a revolução. Nas mais diversas bandeiras – políticas, sociais, culturais – a motivação era a crença orgânica no poder de transformação, a fim de revolucionar os modos de viver e de pensar da sociedade. Entretanto, as significativas diferenças na realidade social, econômica e política dos países fez com que aquela atmosfera em comum tivesse apropriações e desdobramentos bem diferentes em todo o mundo.

Sobre Aline Satyan

Aline Satyan é formada em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Indústrias Criativas pela Universidade Paris 8 e autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: Da Tropicália aos Pontos de Cultura”. Com experiência em políticas culturais e programas de formação para a cultura, trabalhou em diferentes projetos na esfera governamental e universitária. Há alguns anos tem se dedicado a estudar processos de colaboração e atuar como educadora, facilitadora de grupos e consultora de gestão em organizações culturais. Certificou-se em design para sustentabilidade no Programa Gaia Education na ecovila Terra Una (Liberdade, MG) em 2014, Aprofundamento em Dragon Dreaming na Pedra do Sabiá (Itacaré, BA) em 2015 e em Design Permacultural no Instituto Pindorama (Nova Friburgo, RJ) em 2016. É coordenadora do programa Gaia Jovem Serrano, co-fundadora da Cena Tropifágica e da Txai Design de Experiências, e sua principal busca atualmente é por uma vida de consciência, criatividade e em cooperação. Para saber mais: https://www.facebook.com/gaiajovemserrano/ https://www.facebook.com/txaidesigndeexperiencias/ http://www.cenatropifagica.com/

Publicado em 02/10/2008, em Uncategorized e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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