1.3.4. A contestação e a arte

Nas artes plásticas também era possível observar a reformulação de valores e, principalmente do conceito de arte. A pop art norte americana – influenciada pelas obras de Marcel Duchamp nos anos 30 e simbolizada principalmente nas obras do artista Andy Wahrol em 50/60 – se apropriava de temáticas do cotidiano para criticar o “American Way of Life”. A simbologia de produtos do mercado publicitário americano era utilizado como tema da obra, reafirmando que a arte deixava de lado a abstração para assumir um caráter mais figurativo, a fim de provocar uma sociedade cada vez mais guiada pelos padrões de consumo capitalistas. Embora não se caracterizasse como um movimento contracultural, a pop art influenciou questionamentos e experimentações estéticas, como no movimento Nova Objetividade Brasileira, cujo precursor Hélio Oiticica foi uma das figuras mais importantes da vanguarda das artes plásticas e da contracultura brasileira na época.

No Brasil, o teatro também assumiu um importante papel na manifestação artística contracultural que se manteve conectada com as tendências internacionais. O experimentalismo do Living Theatre e o teatro anárquico e político do Oficina de José Celso Martinez Correa – que mantinham permanete intercâmbio e influência um no outro – foram revolucionários no sentido de alterar a relação entre o palco e a platéia, entre os textos e os atores e a direção do espetáculo.

Separados por significativas diferenças no contexto político e cultural dos dois países, estes movimentos tiveram papel fundamental no questionamento do estatuto de arte, do papel do artista e da relação entre a obra e o público. A arte a a cultura serão no Brasil o principal canal de discussão – e articulação – política daquela época, como veremos a seguir.

Sobre Aline Satyan

Aline Satyan é formada em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Indústrias Criativas pela Universidade Paris 8 e autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: Da Tropicália aos Pontos de Cultura”. Com experiência em políticas culturais e programas de formação para a cultura, trabalhou em diferentes projetos na esfera governamental e universitária. Há alguns anos tem se dedicado a estudar processos de colaboração e atuar como educadora, facilitadora de grupos e consultora de gestão em organizações culturais. Certificou-se em design para sustentabilidade no Programa Gaia Education na ecovila Terra Una (Liberdade, MG) em 2014, Aprofundamento em Dragon Dreaming na Pedra do Sabiá (Itacaré, BA) em 2015 e em Design Permacultural no Instituto Pindorama (Nova Friburgo, RJ) em 2016. É coordenadora do programa Gaia Jovem Serrano, co-fundadora da Cena Tropifágica e da Txai Design de Experiências, e sua principal busca atualmente é por uma vida de consciência, criatividade e em cooperação. Para saber mais: https://www.facebook.com/gaiajovemserrano/ https://www.facebook.com/txaidesigndeexperiencias/ http://www.cenatropifagica.com/

Publicado em 06/10/2008, em Uncategorized e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. André Vieira

    Muito boa essa contextualização passada até aqui… é fundamental conhecer as etapas vividas pelos movimentos culturais para ter noção do que é produzido hoje… não no sentido de comparar por comparar, mas observar a (r)evolução que podemos fazer e a destruição dos legados culturais que a cultura de massa provoca.

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