O que você faz no mundo em que vive?

Às vezes eu (e meio mundo) fico me perguntando o sentido disso tudo…

Não da onde viemos, para onde iremos, mas o que estamos fazendo aqui. A cada minuto.
Já parou pra pensar quantos litros de água você bebe por dia? Qual foi a última vez que visitou a sua avó? Daonde vem a banana do seu café da manhã? Seu shampoo é testado em animais? Quantas vezes você mastiga em cada garfada?

Essas coisas que a gente nem costuma parar pra pensar com tanta coisa na cabeça.
Afinal, é tanta preocupação: A Conferência Nacional de Comunicação sendo boicotada pelo Ministério das Comunicações claramente aliado ao setor empresarial; a soja que devasta a Amazônia enquanto o site da Monsanto fala em sustentabilidade e responsabilidade social; o molequinho descalço passando sono e frio de madrugada na Lapa vendendo chiclete entre gringos, sambas e cerveja; a menina Maísa (que a essa altura já mandou pro espaço qualquer garantia de normalidade psicológica) nas mãos da aberração que é o Silvio Santos (e com alta audiência, o que é mais impressionante); a mãe de família que vê seu filho ser assassinado sem explicação pela polícia nas operações do morro e ainda é obrigada a vê-lo sendo chamado de “mais um marginal” na capa do Expresso; o Bispo Macedo entrando em nossas casas e nossas vidas e ganhando rios de dinheiro (e audiência) com tudo isso; tanto filme sendo produzido nas universidades e nas madrugadas de domingo a Band reprisando o programa do Chacrinha; dinheiro público sendo gasto em pseudo obras pros jogos olímpicos no Rio enquanto a maioria da população mal tem saneamento básico… entre muitas outras coisas que não cabem ser enumeradas aqui porque senão é pegar a faquinha de serra (como diria a jornalista Lívia Agrelli) e desisitir de tudo.

Enquanto isso tem muito mais gente preocupada em não perder o “Pânico na TV de Domingo”, saber até que horas a Stephany Brito ficou dançando no seu casamento, quem vai ser o próximo eliminado do “Jogo Duro” (ou qualquer outro reality show da moda), quando vai receber o salário pra poder pagar a escova progressiva e com quem o namorado estava conversando ao telefone quando ligou e deu ocupado….

Também pudera, com o caos do transporte público o cara que fica 3 horas em pé no engarrafamento pra chegar em casa quer mais é comer seu bife com batata frita e assistir à novela; com uma semana 40 horas infelizes de trabalho e um salário mínimo que mal paga os impostos, a graninha que sobra vai na cervejinha da sexta feira; o troco do ônibus paga o Meia Hora, que pelo menos informa o horóscopo do dia, traz anúncio de emprego (já que este é um risco constante) e de brinde ainda tem uma gostosa na capa.

E seja quais forem as suas preocupações, a gente parece sempre estar ocupado demais para reparar no mundo a nossa volta né?
A árvore da esquina (que já estava lá muito antes de vc chegar) é um empecilho pra estacionar, o almoço é uma coxinha com coca cola engolida na esquina e a guimba de cigarro se joga no chão (ué, aonde mais jogar?)

Então que tal parar pra pensar um pouco em nossa existência? E depois, parar de pensar e sentir mais a vida latentae ao nosso redor? E depois de sentir, se mexer para transformar alguma coisa?

Tá vendo? É ciclo repetitivo, e achar o equilíbrio entre pensar, fazer e sentir tá difícil.
Mesmo o mais engajado dos cidadãos, que escolhe bem seu voto e separa o seu lixo para coleta seletiva, às vezes esquece da sua família, quando vê a avó morreu e nem lembrava quantos anos ela tinha! Mesmo a pessoa super alto astral, que faz trabalho voluntário e só come macrobiótico pode ter uma dificuldade imensa de se entregar a alguém e mantém seu coração longe de qualquer possibilidade de mais um amor frustado, just in case… E mesmo aquele professor super reconhecido e com idéias progressistas que você tanto admira é um baita conservador e não admite o filho gay em casa.

Pois é, o mundo é feito de contradições. Por outro lado é feito de pessoas, como a gente.

E, agora, já parou pra pensar na responsabilidade que é viver?

Sobre Aline Satyan

Aline Satyan é formada em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Indústrias Criativas pela Universidade Paris 8 e autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: Da Tropicália aos Pontos de Cultura”. Com experiência em políticas culturais e programas de formação para a cultura, trabalhou em diferentes projetos na esfera governamental e universitária. Há alguns anos tem se dedicado a estudar processos de colaboração e atuar como educadora, facilitadora de grupos e consultora de gestão em organizações culturais. Certificou-se em design para sustentabilidade no Programa Gaia Education na ecovila Terra Una (Liberdade, MG) em 2014, Aprofundamento em Dragon Dreaming na Pedra do Sabiá (Itacaré, BA) em 2015 e em Design Permacultural no Instituto Pindorama (Nova Friburgo, RJ) em 2016. É coordenadora do programa Gaia Jovem Serrano, co-fundadora da Cena Tropifágica e da Txai Design de Experiências, e sua principal busca atualmente é por uma vida de consciência, criatividade e em cooperação. Para saber mais: https://www.facebook.com/gaiajovemserrano/ https://www.facebook.com/txaidesigndeexperiencias/ http://www.cenatropifagica.com/

Publicado em 12/07/2009, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: