O fantasma da ditadura do Lula

 

Recebi este video numa lista de email de pesquisadores, e fico impressionada como ainda tem gente que engole esse discurso da “ditadura Lula”, principalmente no que diz respeito ao Plano Nacional de Direitos Humanos…

http://www.youtube.com/watch?v=7BqO1jQR8Tk

O assunto não é exatamente recente mas é sempre bom reforçar.

 

O texto do 3 Programa Nacional de Direitos Humanos foi formulado com base nas versões 1 e 2 do Programa, aprovadas durante o governo FHC, e construidas em conjunto com a sociedade a partir de diversas conferências nacionais, realizadas em grande numero nos ultimos 8 anos.

 

Desmentindo a reportagem (de péssimo gosto, por sinal):

 

1) A questão da reforma agraria (ja é hora, né?) é simplesmente que havera um tribunal especial para agilizar os processos relacionados ao tema, visto que se o trabalhador não tem nem terra, é obvio que não vai ter também um advogado particular para tratar da questão, e por isso o processo fica parado durante anos, atrasando inclusive nosso sistema judiciario.

 

 

2) Os simbolos religiosos serão evitados em espaços governamentais de acesso publico, garantindo assim o carater laico do Estado. A diversidade religiosa do pais deve ser respeitada, e para isso, não privilegiar certos simbolos em detrimentos de outros no espaço publico (pq sera que a reportagem mostrou uma cruz e não um orixa, por exemplo?)

 

 

3) Controlar o conteudo dos meios de comunicação é completamente diferente de assegurar que os direitos humanos sejam respeitados (evitando a baixaria que se perpetua descaradamente na tv aberta) e que a constituição seja respeitada (vc sabia que o limite maximo para exibição de publicidade na tv aberta é de 15%? Que 30% do conteudo deve ser de produção regional e independente? ta la, artigos 221 e 223 da Constitução, pode procurar)

 

Ah, vale lembrar que (no caso das tvs abertas e radios), as concessões são PUBLICAS, ou seja, pertencem ao povo brasileiro, que devem ser minimamente representados

 

 

4) Imposto sobre grandes fortunas: claro que isso incomoda, é muito melhor que o pobre continue pagando as mais altas cargas tributarias do pais, logico! Varios paises tem legislações tributarias especificas para diferentes faixas de renda e isso não “afasta o investimento” simplesmente porque não é a flexibilidade de imposto isolada que garante isso.

 

 

5) Toda a mulher tem direito de decidir sobre o seu proprio corpo, e se falta emprego no pais a culpa certamente não é delas. Com direitos trabalhistas e o reconhecimento da profissão, diminuem os riscos e os gastos do proprio Estado, o nome disso é politica de redução de danos. Uma pergunta: vc ja foi  a Amsterda?

 

 

6)O Brasil foi o unico pais que apos a ditadura não tocou mais no assunto da tortura, e que a lei da anistia disse respeito nao apenas aos torturados mais tambem aos torturadores. O numero de presos politicos, torturados e mortos pelo estado ditatorial, muitos até hoje “desaparecidos”, é muito maior do que os das “vitimas da esquerda”. Existe um movimento chamado “Tortura nunca mais”, composto por familiares de ex presos e torturados que tem o pleno direito de saber o que aconteceu com seus parentes e, se possivel, aonde se encontram os corpos. E um resultado social dessa impunidade do Estado é a tortura que continua rolando solta nos morros cariocas pelas policias ditas “pacificadoras”, apenas para dar um exemplo (deixando claro que não estou colocando todos os policiais no mesmo saco, apenas evidenciando aqueles que praticam descaramente o abuso de autoridade sem a menor necessidade)

 

 

Essas e outras reivindicações não partem da “cabeça comunista” do Lula, mas sim da sociedade que vem se politizando e caindo na real que esse pais também pertece a elas.

 

Se quiserem conferir o texto na integra, voilà: http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf

(é um pouquinho mais trabalhoso do que uma reportagem editada de 4 minutos…)

 

Na minha opinião, se tem algo de ditatorial nessa historia é a maneira rasa e tendenciosa com que a midia e os setores da direita tratam de temas tão caros para a sociedade como um todo, se colocando no direito de tirar conclusões em nome dos outros.

E é realmente uma pena que tanta besteira seja veiculada em horario nobre e aceitadas sem o menor senso critico. Ainda bem que nos resta a

internet…

Sobre Aline Satyan

Aline Satyan é formada em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Indústrias Criativas pela Universidade Paris 8 e autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: Da Tropicália aos Pontos de Cultura”. Com experiência em políticas culturais e programas de formação para a cultura, trabalhou em diferentes projetos na esfera governamental e universitária. Há alguns anos tem se dedicado a estudar processos de colaboração e atuar como educadora, facilitadora de grupos e consultora de gestão em organizações culturais. Certificou-se em design para sustentabilidade no Programa Gaia Education na ecovila Terra Una (Liberdade, MG) em 2014, Aprofundamento em Dragon Dreaming na Pedra do Sabiá (Itacaré, BA) em 2015 e em Design Permacultural no Instituto Pindorama (Nova Friburgo, RJ) em 2016. É coordenadora do programa Gaia Jovem Serrano, co-fundadora da Cena Tropifágica e da Txai Design de Experiências, e sua principal busca atualmente é por uma vida de consciência, criatividade e em cooperação. Para saber mais: https://www.facebook.com/gaiajovemserrano/ https://www.facebook.com/txaidesigndeexperiencias/ http://www.cenatropifagica.com/

Publicado em 09/10/2010, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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