Crowdfunding: você conhece?

Crowdfunding é o termo em inglês para expressar uma coleta de fundos colaborativa. Esse movimento nasceu nos Estados Unidos com o site IndieGogo* e ja encontra hoje mais de 30 plataformas diferentes realizando esse tipo de financiamento colaborativo de ideias no mundo todo.

Em tempos de novas formas de produçao e difusao, precisamos começar a pensar nao apenas em como ganhar dinheiro com nossa produçao, mas, também, como consumir de uma forma diferente. Entenda:

Essa é a ideia do crowdfunding: Você anuncia uma ideia, estipula um valor e uma data limite para a captaçao de recursos, sugere recompensas criativas para diferentes faixas de colaboraçao, divulga para seus amigos e recebe os recursos (o que depende da sua articulaçao e capacidade de convencimento) e realiza sua açao.

Simples assim? Talvez nem tanto. Transformar uma ideia em projeto, calcular sua viabilidade, pensar em contrapartidas atraentes o suficiente, encontrar apoiadores e mantê-los atualizados, divulgar sua coleta para os mais diferentes publicos, tudo isso da trabalho, e varia muito de ideia para ideia. Mas é apenas o começo de um movimento, que aumenta a medida que as pessoas vao testando e colocando em pratica novas ideias.

Seria essa a versao século XXI da velha “vaquinha”? De certa forma, sim, e talvez seja por isso que essa moda tem pegado no Brasil, onde em poucos meses ja surgiram uma penca de serviços do tipo (um inclusive declaradamente):

Vakinha

Catarse

Incentivador

Motiva-me

Movere-me

Produrama


Alguns outros com um foco especifico:

Queremos – coleta de fundos para realizar shows de bandas que provavelmente não aconteceriam se não fosse por essa iniciativa dos fãs (por enquanto, so no Rio)

Eu maior – captação de recuros pro documentario “Eu maior”, com possibilidade de deduçao de imposto para patrocinadores pessoa fisica

Senso Incomum – compra de bens materiais para projetos sociais

E alguns ainda que entrarão no ar em breve:

Benfeitoria

Multidao

Ulule – Para este ultimo peço licença para fazer uma pequena propaganda, ja que faço parte da equipe, aqui em Paris: O site ja possui a versao em inglês e em francês, e estamos preparando a nova cara do site que tera, entre outras novidades, a versao brasileira da plataforma. La também tem o Ulule Vox, um Forum que tem agregado diversas pessoas e discussoes interessantes sobre o crowdfunding, como elaborar um bom projeto, quais as melhores estratégias de divulgaçao, etc. (A versao em português sai em breve, mas ja tem em francês e em inglês!)

No melhor estilo colaborativo, existe uma lista de discussão sobre o crowdfunding no Brasil e um blog sobre o assunto, para quem quiser saber mais e participar. Essa dinâmica me faz cada vez mais lembrar essa “forte identidade urbana nacional [que] se baseia, dentre outros, na habilidade que a maioria dos brasileiros tem (ou crêem ter) em encontrar soluções para as situações sociais mais adversas, na maioria dos casos improvisando com os recursos disponíveis. Esse é o “jeitinho brasileiro” que, em termos conceituais, significa a ter a capacidade criativa de converter um recurso abundante, tempo, em um recurso escasso, materiais“**.

Fazendo uma analise bem pessoal, acredito que a tendência do crowdfunding, especialmente no Brasil, é essa mesma: vao surgir varias plataformas, algumas vingam, outras se transformam, outras acabam ficando de lado mesmo. Esta é também a razao pela qual o pessoal do Catarse abriu o codigo da plataforma deles. Quanto mais gente fazendo crowdfunding, testando novos modelos, mais espaço se abre nesta cena.

É o ciclo das novas ideias, e com isso vai se aperfeiçoando o serviço-movimento. Aprendendo novas formas de se produzir, novas formas de se captar e também novas formas de se consumir.

* Correçao de ultima hora, obrigado Marcos Luiz

(**Retirado do bom e velho texto “O Impacto da Sociedade Civil (des)Organizada: Cultura Digital, os Articuladores e Software Livre no Projeto dos Pontos de Cultura do MinC“).

Sobre Aline Satyan

Aline Satyan é formada em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Indústrias Criativas pela Universidade Paris 8 e autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: Da Tropicália aos Pontos de Cultura”. Com experiência em políticas culturais e programas de formação para a cultura, trabalhou em diferentes projetos na esfera governamental e universitária. Há alguns anos tem se dedicado a estudar processos de colaboração e atuar como educadora, facilitadora de grupos e consultora de gestão em organizações culturais. Certificou-se em design para sustentabilidade no Programa Gaia Education na ecovila Terra Una (Liberdade, MG) em 2014, Aprofundamento em Dragon Dreaming na Pedra do Sabiá (Itacaré, BA) em 2015 e em Design Permacultural no Instituto Pindorama (Nova Friburgo, RJ) em 2016. É coordenadora do programa Gaia Jovem Serrano, co-fundadora da Cena Tropifágica e da Txai Design de Experiências, e sua principal busca atualmente é por uma vida de consciência, criatividade e em cooperação. Para saber mais: https://www.facebook.com/gaiajovemserrano/ https://www.facebook.com/txaidesigndeexperiencias/ http://www.cenatropifagica.com/

Publicado em 11/04/2011, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Belo post Aline!
    Boas-vindas ao Ulule e obrigado por ter citado a Senso Incomum por aqui.

    O crowdfunding é mais um exemplo do poder do indivíduo em rede. E neste sentido a web confere ao modelo de financiamento colaborativo uma abrangência global impossível de ser explorada em outras épocas. São as pessoas gerando e agregando valor através das pessoas e seu trabalho.

  2. Legal, Edu, valeu!
    E vamos que vamos!

  3. Aline, só uma dúvida: Provavelmente o Kickstater seja o mais conhecido e bem sucedida plataforma de crowdfunding, mas o modelo de financiamento colaborativo não surgiu com o IndieGogo (http://www.indiegogo.com/)?

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