Os digitalóides da cultura

Reproduzo aqui um desabafo muito inspirado de uma admirável ativista da cultura digital (e da liberdade da vida), a guria @f4bs. Uma resposta ao questionamento da reação dos “digitalóides” sobre as controvérsias da gestão de Ana de Hollanda no MinC.

Em suas próprias palavras, “um remix de tudo que vivi até hoje dentro desse movimento, totales copyleft”

“O MinC digitalóide é o MinC que chegou onde nunca antes alguma política pública decente tinha chegado.

O MinC digitalóide também é aquele que te alerta que você pode chamar o encanador que quiser pra trocar os canos da tua casa, o eletricista que quiser pra mexer na tua fiação elétrica, mas não pode chamar quem quiser pra mexer nos códigos que são colocados dentro do “teu” computador, porque tem empresas que fecham o acesso como uma caixa preta e deixam dentro da “tua própria máquina” códigos que são só dela, fazendo coisas que só ela sabe com teus dados pessoais. Mas ele não só alerta, como também mostra os caminhos alternativos para a liberdade e para autonomia.

O MinC digitalóide mostra como trabalhar em rede, buscando em um movimento digitalóide, o movimento do software livre, seu exemplo de como trabalhar colaborativamente, pois é um movimento que deu e está dando certo. Um movimento onde os donos dos códigos são todas as pessoas, mas especializa-se neles quem quer, e colabora e modifica quem pode.

O MinC digitalóide é um MinC incomoda porque tira as pessoas de seus quadrados, de suas zonas de conforto, e questiona inclusive o fato de que os autores só pensam em seus direitos, nunca em seus deveres.

Quantas trilhas sonoras de minha adolescência foram completamente arruinadas por comerciais estúpidos de carros e companhias telefônicas querendo me empurrar seus produtos apelando para minha memória afetiva em torno daquela melodia? Eu sinceramente considero isso um crime, uma barbárie mercantilista, mas os donos do direito autoral estão pouco se lixando para isso. Querem apenas saber de seus lucros, os quais muitas vezes sequer vão para o autor, e sim para quem comprou os direitos do autor. “


Continua nos twitters e listas de cultura (digital, popular, adiovisual, n’importequoi) mais próximos.

Para quem se importa mais com POLÍTICAS do que com NOMES.

Sobre Aline Satyan

Aline Satyan é formada em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Indústrias Criativas pela Universidade Paris 8 e autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: Da Tropicália aos Pontos de Cultura”. Com experiência em políticas culturais e programas de formação para a cultura, trabalhou em diferentes projetos na esfera governamental e universitária. Há alguns anos tem se dedicado a estudar processos de colaboração e atuar como educadora, facilitadora de grupos e consultora de gestão em organizações culturais. Certificou-se em design para sustentabilidade no Programa Gaia Education na ecovila Terra Una (Liberdade, MG) em 2014, Aprofundamento em Dragon Dreaming na Pedra do Sabiá (Itacaré, BA) em 2015 e em Design Permacultural no Instituto Pindorama (Nova Friburgo, RJ) em 2016. É coordenadora do programa Gaia Jovem Serrano, co-fundadora da Cena Tropifágica e da Txai Design de Experiências, e sua principal busca atualmente é por uma vida de consciência, criatividade e em cooperação. Para saber mais: https://www.facebook.com/gaiajovemserrano/ https://www.facebook.com/txaidesigndeexperiencias/ http://www.cenatropifagica.com/

Publicado em 19/05/2011, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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