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Gaia Jovem Serrano: Educação em Sustentabilidade para Jovens

O Gaia Jovem Serrano é uma vertente do Gaia Education (www.gaiaeducation.net), um programa de formação de estudantes e profissionais que empodera os indivíduos a reverem seu papel no mundo.

Trata-se de uma vivência transformadora que considera a sustentabilidade de forma integrada e transdisciplinar. Através de debates inovadores e aulas práticas em meio à natureza, faremos dinâmicas em grupos, jogos cooperativos, elaboração de projetos, bioconstrução, plantio, arte, música e ferramentas de desenvolvimento pessoal e coletivo.

O Programa é certificado internacionalmente e segue as mesmas bases do currículo do Gaia Education, adaptado para a realidade dos jovens brasileiros. Nesta edição, trazemos a proposta para a comunidade da Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, abordando questões específicas da juventude rural e de comunidades impactadas por catástrofes naturais. A ideia é que  programa contribua para a integração e o fortalecimento de redes de sustentabilidade e cooperação social no local, a partir dos próprios jovens.

Isso porque mais do que capacitar jovens com habilidades técnicas para o mundo contemporâneo, o propósito deste programa é despertar o potencial de transformação de cada um. Utilizando ferramentas para ajudar o jovem a encontrar equilíbrio em momentos de confusão, buscamos estimular a conexão com seu eu interior, motivando o indivíduo na busca de seu potencial criativo.

O curso é direcionado para jovens de 14 a 21 anos, mas todas as candidaturas serão analisadas individualmente. Queremos que a turma seja composta de jovens de diversas classes sociais e motivações e as inscrições estão abertas aqui: http://tiny.cc/gaiajovemserrano

:: DATAS ::

Módulo Social: 7 a 9 de Agosto

Módulo Econômico: 18 a 20 de Setembro

Módulo Ecológico: 16 a 18 de Outubro

Módulo Visão de Mundo: 20 a 22 Novembro

Módulo Imersivo (Quatro Dimensões): 12 a 20 de Dezembro

:: LOCAL ::

O curso será realizado no Sítio Vale de Luz, em Conselheiro Paulino, zona rural do município de Nova Friburgo, região serrana do Estado no Rio de Janeiro. Referência em educação na região, sua missão é criar condições para que as crianças e os jovens, prioritariamente carentes, tenham a oportunidade de transformar suas capacidades individuais em habilidades socialmente construtivas.

:: PRÉ INSCRIÇÕES ABERTAS ::

http://tiny.cc/gaiajovemserrano

Quer colaborar com a realização do Gaia Jovem Serrano?

Acesse http://tiny.cc/txai e saiba como!

Dúvidas, maiores informações e sugestões? Entre em contato com a gente: gaiajovemserrano@gmail.com

www.facebook.com/gaiajovemserrano

(21) 9.8378 – 9928 (tim)

(21) 9.8232 – 4476 (vivo)

(21) 9.6518 – 0593 (nextel)

Em cooperação,

Equipe Gaia Jovem Serrano

Nas sutilezas

(Aproveito este 8 de março para compartilhar o relato que me foi enviado por email por uma leitora deste blog sobre o assédio que sofreu em uma sessão de fotos. Não a conheço pessoalmente mas a história muito me tocou e acredito que merece ser compartilhada. Vale a reflexão, mulheres!)

La sutileza – Raquel Oliveras Rodriguez

“Não posso deixar passar, definitivamente. Tomei essa decisão por mim, por todas que passaram por situações similares ou mais diretas nesse projeto, por todas as mulheres que passam por isso todos os dias, pelas gerações que se calaram/foram caladas, pelas gerações que estão chegando e pelas que estão por vir. Que as nossas meninas de hoje sejam mulheres cada vez mais livres e respeitadas. E que os meninos de hoje se tornem homens respeitosos e cuidadosos. Mais humanos.

A verdade é que ficha demorou a cair.

Ele me olhava minuciosamente enquanto eu me despia. Me senti desconfortável, mas imediatamente concluí que EU que estava nervosa com aquela situação de fazer sessão de fotos nua, que eu mesma escolhi para mim. Isso era um problema meu.

A sessão começou. Quando ele começou a me mostrar as primeiras fotos tiradas, já não curti. Percebi o quão estava desgostosa com o meu corpo e aquela situação toda começou a se tornar insuportável e constrangedora para mim. Ele, então, sugeriu que eu sentasse, para tentarmos fazer novas fotos em que eu pudesse me sentir melhor. Foi uma boa alternativa, comecei a conseguir esconder o que me incomodava. Ainda assim, aqueles minutos pareciam horas infindáveis. O que mesmo eu estava fazendo ali, meu Deus? Fui me sentindo muito exposta e vulnerável. Eu estava desconfortável, comecei a sentir um choro vindo. Dada essa minha condição, ele levantou da cadeira, sentou no chão comigo e me abraçou. Eu, nua, por dentro e por fora. Ele, o “fotógrafo-psicólogo”, tentando cuidar da mulher com baixa autoestima. Entre abraços e olhares profundos, elogiou meus peitos fartos algumas vezes, colocou as mãos na frente do próprio corpo, na altura dos próprios peitos, fazendo movimentos no ar como se estivesse mexendo em seios, e falava coisas como “esses peitos enormes, lindos, você é linda, para com isso”. Disse também que é claro que se não fosse casado ficaria comigo. Disse também que os amigos dele brincavam com ele que ele estava fazendo esse projeto para ver mulher pelada e que ele dizia que se fosse para isso não teria homens no projeto…

Ele não levantava a minha autoestima com tantos elogios e abraços e eu disse isso pra ele. Agradeci, inclusive, a tentativa, mas que não estava adiantando. Fizemos mais algumas fotos, depois eu disse que não estava mais conseguindo e terminamos. Ele até sugeriu que eu voltasse e refizesse a sessão em algum momento em que eu estivesse melhor comigo. Achei gentil e cuidadoso da parte dele.

Saímos bem de lá, fomos fazer um lanche, falamos do projeto, me ofereci para ajudar a escrevê-lo, a tentar editais, sugeri crowdfunding. Ainda escrevi pra ele depois reforçando a minha oferta em ajudar com o projeto.

Ainda fui chamada uma vez por uma menina na rua, que tinha me visto em um dos vídeos das entrevistas que ele fez, querendo saber a minha opinião, como tinha sido, porque ela tinha sido convidada e estava em dúvida. Eu contei da minha questão com o meu corpo, em como foi difícil para mim, mas a incentivei a fazer. Incentivei uma outra amiga também.

Até que um dia, José*, um amigo, veio me perguntar como tinha sido essa sessão de fotos, porque uma amiga dele, Ana*, tinha feito e relatou para ele que o tal fotógrafo tinha tentado beijá-la durante a sessão dela. Algo inexplicável aconteceu dentro de mim nessa hora. Foi a sensação de mil fichas caindo na minha cabeça, fui lembrando de tudo o que aconteceu naquela tarde, por toda a responsabilidade que eu trouxe para mim pelo que aconteceu ali.

José* pediu para eu não falar nada para ninguém, porque Ana* tinha pedido isso para ele. Respeitei e mantive o silêncio. Mas tudo isso ficou muito vivo em mim. Poucos meses depois, talvez dois, uma outra amiga, que não fez as fotos, veio me contar que uma amiga nossa em comum tinha vivido uma história dele ter tentado beijá-la na sessão de fotos. E não era Ana*, que José* tinha relatado. Calma aí, mais uma?

Bem, nisso tudo, já somos cinco, que eu saiba. Cinco que ficamos caladas. Mais cinco histórias para os autos dos casos que não entram em estatísticas. Mais cinco, dentre outras, que podem ter vivido esse tipo de situação nesse projeto. E de mulheres que passam por isso todos os dias e simplesmente não percebem, não trazem à luz da consciência o que de fato aconteceu/está acontecendo.

O maior aprendizado para mim nessa história, que quero trazer à tona, é o fato de que sim, estamos à mercê desse tipo de situação a qualquer momento. E não só à mercê, estamos vivendo a qualquer momento. Mesmo nós que nos sentimos tão donas de nós, dos nossos direitos, da nossa liberdade, da nossa luta, que achamos que já entendemos tudo. Mais do que vítima dele, me sinto vítima dessa questão histórica que nós mulheres carregamos incrustadas nos nossos corpos. O assédio vai desde o que nos parece óbvio, como um cara que passa a mão, estupra, fala um “gostosa” na rua, ou lança um olhar que engole, que nós mulheres sabemos bem como é. O assédio, mulheres, pode vir assim: travestido. De bom moço querendo apenas cuidar da moça frágil e vulnerável. Pode ser sutil e perverso, ao mesmo tempo.

Suas fichas, mulheres, podem estar caindo só agora, lendo esse texto. Isso aconteceu comigo e com outras meninas: só ao ouvir outro relato que nos demos conta do que aconteceu conosco.

Esse texto foi escrito no dia 26 de setembro de 2014, quando tudo veio à tona e isso acabou sendo só um vômito. Nunca soube o que fazer com ele, o que fazer com essa história. Continuo sem saber. Continuo me sentindo calada, apesar da oportunidade de publicá-lo agora, com pequenas alterações e mudanças dos nomes todos, inclusive o meu, tanto para me preservar como também os citados nesse texto, quanto o próprio fotógrafo. Há mais de cinco meses essa história vive dentro de mim, acompanhada de um “não-saber”. Para mim, isso também é reflexo de tudo o que ainda carregamos.

Encorajo todas as mulheres a serem mais corajosas (do que eu). Porque não podemos mais nos calar. E isso foi o que tentei não fazer, ficar calada, mas sinto e admito que é um tanto covarde ainda. Que consigamos fazer isso por nós, pelas que foram, pelas que virão.

Lena*

* Os nomes originais foram omitidos a pedido dela

Boas vindas à nova SCDC/MinC

1° Forum dos Pontos de Cultura do Estado do Rio de Janeiro de 2015 em Lumiar

Prezada Secretária da Cidadania e Diversidade Cultural O Fórum dos Pontos de Cultura do Estado do Rio de Janeiro , reunido em 23 e 24 de janeiro em Lumiar, Nova Friburgo,  saúda sua chegada e apresenta as principais pautas sobre as quais temos debatido no âmbito do Programa Cultura Viva, para os quais solicitamos sua máxima atenção nesta nova gestão. Em primeiro lugar, é de suma importância fortalecer o debate da regulamentação da Lei Cultura Viva, cuja aprovação em 2014 foi fruto de muitos anos de construção do movimento dos Pontos de Cultura, e que precisa contar com a vontade política do Ministério da Cultura, e da Secretaria da Cidadania e Diversidade Cultural mais especificamente, para sua implementação. Vemos hoje a necessidade de um cronograma de regulamentação da Lei, em mais especificamente dois principais pontos a serem priorizados: – A Instrução Normativa que regulamenta o funcionamento do Programa deve compreender, no Termo de Cooperação Cultural estabelecido entre o MinC e os Pontos de Cultura, que o relatório de atividades e a planilha financeira sejam desvinculados. Sabemos que a realização de atividades no contexto dos Pontos de Cultura não corresponde às exigências da Lei 8.666, e desta forma proposta, a prestação de contas se torna muito mais real, correspondendo às atividades de fato realizadas e não à simples apresentação de notas fiscais. – O Termo de Ajuste de Conduta, que permite compensar os problemas dos convênios com pendência através de serviços e atividades, ao invés da devolução de verba do Ponto de Cultura para o MinC. Entendemos que esta chamada “anistia” busca beneficiar o Programa Cultura Viva em si, reconhecendo os projetos em suas potencialidades culturais e limitações burocráticas, apresentando contrapartidas culturais que beneficiam a sociedade muito mais do que a mera contrapartida financeira. Esta pauta nos remete ainda a necessidade de maior diálogo e interação entre a CNPdC e o MinC e desta forma gostaríamos de ter garantida uma agenda de encontros e reuniões que possam dar conta das amplas e diversas pautas. Desta forma, solicitamos informações sobre o planejamento da Secretaria para o ano, e nos colocar à disposição para esta construção. Desde já, indicamos três agendas que consideramos prioritárias: – A realização de uma reunião ampliada da CNPdC com o MinC/SCDC , sendo garantida e financiada a participação de pelo menos um representante de todos os GTs que compõe a comissão, sendo observadas e cuidadas suas especificidades em termos de acesso à comunicação, acessibilidade e diversidade regional. E sendo também convidados outros setores do Governo Federal, como a Educação, Saúde, Juventude, Ciência e Tecnologia, Comunicação, Direitos Humanos, Turismo, que tenham interface com o Cultura Viva. – A realização anual de uma Teia, o encontro nacional de Pontos de Cultura, sendo garantida e financiada a participação de pelo menos um representante de todos os Pontos de Cultura do Brasil, sendo observadas e cuidadas suas especificidades em termos de acesso à comunicação, acessibilidade e diversidade regional. E para que o encontro possa corresponder às bases conceituais do Programa Cultura Viva, é de extrema importância que os Pontos de Cultura estejam intriscicamente envolvidos em sua produção. Para isso, sugerimos que a verba para sua realização seja repassada através de aditivo de convênio para a gestão de um Ponto de Cultura, escolhido democraticamente pela rede, e não fique submetida a uma empresa licitada pelo governo e completamente desligada do cotidiano do Cultura Viva. – Neste debate entre a regulamentação do repasse de verba entre o governo e a sociedade civil, também identificamos a necessidade de aprofundar o conhecimento geral sobre o assunto e ampliar o controle social nas prestações de contas de projetos culturais. Desta forma, já tem sido discutido entre a Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e a Secretaria a necessidade de realização de um seminário de esclarecimento e acúmulo entre os Pontos de Cultura, o Controladoria Geral da União, o Tribunal de Contas da União e o Ministério da Cultura a fim de esclarecer procedimentos, sanar dúvidas e propor soluções para os impasses encontrados hoje nesta relação. Reforçamos ainda as pautas da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura: – Quais editais estão previstos para 2015, que ações temáticas e regionais estão sendo pensadas e quais instrumentos de repasse estão sendo buscados? – Quais as perspectivas de implementação da Política Nacional do Cultura Viva e quais os recursos previstos para o ano de 2015 ? – A respeito da meta 23 do Plano Nacional de Cultura, que prevê 15 mil Pontos de Cultura até 2020, gostaríamos de saber qual o cronograma previsto para atingí-la e qual o valor atualizado para os novos Pontos? – Há algum tipo de diagnóstico nacional dos Pontos de Cultura nos Tribunais de Contas nas três esferas de governo? – Como está a situação dos editais cancelados e qual o posicionamento do MinC/SCDC em relação ao atraso no repasse dos convênios nos estados e municípios? – Como o MinC/SCDC se posiciona em relação ao Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil dentro do governo? – Como o MinC/SCDC pensa realizar a descentralização da gestão através do Sistema Nacional de Cultura, cuidando da relação com estados e municípios? Por fim, damos boas vindas e nos colocamos à disposição ao diálogo e à construção coletiva, esperando encontrar nesta gestão o reconhecimento e continuidade das boas práticas realizadas nas gestões anteriores, assim como uma diversidade de forças políticas, saudável para uma relação transparente e colaborativa entre governo e sociedade civil. Um abraço afetuoso, Fórum dos Pontos de Cultura do Estado do Rio de Janeiro

Meditação Heart Chakra (Osho)

heart chakra(Foto: Diogo de Castro Lopes)

Heart Chakra é uma meditação que faz conectar com o coração. Renova a energia através de movimentos em diração aos quatro pontos cardeais, te deixando mais sensível e amoroso. No momento em que tu te preenche com esta amorosidade, vai querer compartilhar com os outros, pois há um transbordamento desta energia.

Até o quarto estágio ela é feita de olhos abertos acompanhando o movimento de expansão das mãos. As mãos têm uma conexão direta com o coração.

Estágios da Meditação  Heart Chakra

Primeiro Estágio: Horizonte

a) Comece em pé colocando ambas as mãos sobre o chakra cardíaco em posição de repouso;
b) Ao iniciar a música, mova a mão e o pé direito para a frente alternadamente, com a mão e o pé esquerdo até o final da música;
c) Volte à posição de repouso.

Segundo estágio: Paraíso na Terra

a) Ao iniciar a música, mova a mão e o pé direito para o lado direito alternadamente com mão e o pé esquerdo para o lado esquerdo;
b) Volte a posição de repouso.

Terceiro estágio: Expansão

a) Ao iniciar a música nova, a mão e o pé direito para trás, alternando com a mão e o pé esquerdo para trás;
b) Volte a posição de repouso.

Quarto estágio: Voltando para Casa

a) Execute seqüencialmente os movimentos dos estágios 1, 2 e 3;
b) Fique na posição de repouso até tocar o sino. Logo após, sentar.

Quinto estágio: Aqui e Agora

Mantenha-se sentado de olhos fechados até o final da música e dos sinos.

(Fonte: http://www.namaste.com.br/)

Ouça e baixe as faixas da meditação: http://www.iteia.org.br/audios/meditacao-heart-chakra-osho

#PorMaisParticipaçãoSocial

Somos o Movimento Nacional de Pontos de Cultura, que já realizou 4 Fóruns Nacionais desde 2007, reunindo presencialmente e articulando em rede virtual milhares de agentes culturais de todo o Território brasileiro. Temos como instância de articulação permanente, referência e representação a Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, que é formada por representantes dos Estados e das mais diversas linguagens artísticas, matrizes e ações. Iniciativas que envolvem cerca de 8,4 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados do IPEA.

Solicitamos aos senhores e senhoras dirigentes partidários e parlamentares que aprovem o decreto de participação popular, que estabelece a Política Nacional de Participação Social (PNPS). Nossa trajetória é uma das maiores experiências, em construção, de gestão compartilhada entre Estado e sociedade civil. Temos muitas contribuições para a criação, implementação e avaliação das políticas públicas, adquiridas durante os 10 anos em que o Programa Cultura Viva vem promovendo a autonomia, o protagonismo e o empoderamento da sociedade civil por meio da Cultura e da Cidadania.

O Estado Brasileiro precisa se aperfeiçoar, rumo a uma nova cultura democrática.

Comissão Nacional dos Pontos de Cultura/CNPdC

GT Pesquisa Viva: por uma cultura de pesquisa participativa

logo.teia_2014A Teia Nacional da Diversidade, realizada entre os dias 19 e 24 de maio em Natal (RN) reuniu pontos de cultura, grupos artísticos, movimentos sociais, gestores, pesquisadores e agentes culturais em um grande encontro do Programa Cultura Viva, que completa dez anos este ano. Entre debates, seminários, oficinas e apresentações artísticas, pontos de cultura todo o país tiveram a  oportunidade de trocar experiências e impressões, resgatar e avaliar o histórico do movimento, bem como propor novas diretrizes e caminhos.

Considerando as diversas pesquisas e estudos já realizados sobre o Programa, e buscando um maior diálogo entre estas narrativas e a realidade cotidiana dos Pontos de Cultura, foi criado durante o Forum Nacional de Pontos de Cultura o GT Pesquisa Viva, formado por ponteiros e pesquisadores interessados em produzir conhecimento e reflexões sobre o programa. O objetivo do grupo de trabalho é criar uma cultura de pesquisa dentro da rede do Cultura Viva, junto a pontos de cultura, gestores públicos e universidades. Por isso, busca-se potencializar a produção de indicadores e informações sobre o Cultura Viva através do levantemento, disponibilização e articulação em rede dessa produção criando espaços de intercâmbio de informações e metodologias junto a outras redes, buscando fomentar todos os atores do Programa como pesquisadores em potencial.

Entre as estratégias de ações desenhadas pelo grupo, estão:

. Contribuir com a criação de um repositório de pesquisas acadêmicas, estudos gerais e relatórios institucionais sobre o Programa já produzidos, em especial, pelos Pontos de Cultura e através deles. E a fim de fortalecer a rede, o repositório, iniciamente hospedado no site do Observatório de Políticas Públicas da UnB, será disponibilizado também nas plataformas do próprio programa, como iTeia, Rede Mocambos, Culturadigital.br, Rede Livre, Estúdio Livre, etc.

. Acompanhar as pesquisas e estudos em curso, como o Redesenho do Programa Cultura Viva e a pesquisa de Monitoramento e Avaliação da Rede Estadual que está sendo realizada pela Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro, dando retorno periódico à rede sobre seu andamento.

. Fomentar a produção de conhecimento e levantamento de novos indicadores por parte dos próprios pontos de cultura, através da capacitação em pesquisa-ação participativa, com compartilhamento das metodologias e de seus resultados.

Respondendo ao objetivo de articulação com outras redes, já na Teia o recém-criado GT participou do Seminário Visões sobre o Programa Cultura Viva, nos dias 22 e 23 de maio, que teve como objetivo a retomada da Rede de Pesquisadores do Cultura Viva. Na ocasião, foi estabelecida uma parceria tripartite entre sociedade civil (GT Pesquisa Viva), academia (Observatório de Políticas Públicas da UnB) e gestão pública (Fundação Casa de Rui Barbosa / MinC), visando o fortalecimento das ações mencionadas acima.

Além disso, como uma primeira ação concreta, o grupo realizou na tarde do dia 23 uma oficina de pesquisa-ação participativa com o objetivo de construir de forma colaborativa a avaliação da Teia. O questionário, construído coletivamente, busca mapear a opinião dos ponteiros e demais participantes da Teia a respeito da programação do encontro, principais contribuições e aprendizados e também incita a reflexão sobre questões como representatividade e sugestões para próximas Teias. O formulário se encontra disponível em http://www.mostre.me/pesquisacaonateia.

Você que esteve na Teia da Diversidade compartilhando o trabalho do seuPonto de Cultura, participando da Feira da Economia Solidária, discutindo a Lei Cultura Viva, realizando a sua pesquisa sobre os Pontos de Cultura, ou simplesmente passando para conhecer o movimento, não deixe de responder. Sua participação é muito importante para termos uma visão geral dos frutos do encontro e como torná-lo ainda mais proveitoso para as próximas edições. Afinal, se a Cultura é Viva, a pesquisa é nossa!

 

*Outras referências imoportantes da Teia da Diversidade:

Clique aqui para ler a Carta de Natal, do Fórum Nacional de Pontos de Cultura

Clique aqui para ler a Carta final do I Forum de Gestoras e Gestores do Programa Cultura Viva

O 8 de março, a luta das mulheres e um novo mundo possível

“Quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede” 

Por Bianca Rihan∗

 

Neste dia, explorado pelo mercado através de flores e bombons, saímos às ruas por mais direitos, contra a violência, mas, sobretudo, pela desconstrução das referências que relegam as mulheres à posição de propriedade. Nossa luta é pela quebra das referências estigmatizadas de masculino e feminino, pelo fim da cultura da opressão e da exploração, pela desmercantilização de nossas vidas.

Ainda em 1791, no desenrolar da Revolução Francesa (1789), Olympe de Gourges lançava a “Declaração dos Direitos das Mulheres e da Cidadã”, denunciando a limitação da “Declaração dos Direitos do Homem”, e reivindicando a participação feminina nos espaços políticos, o fim da prostituição, e a igualdade de direitos entre os sexos. Em meio àquele cenário de ebulição, Gourges pautava o “direito feminino a todas as dignidades, lugares e empregos públicos segundo suas capacidades” , pois “se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve poder subir também à tribuna.” Assim, chamava a atenção para a necessidade de reconhecimento de ativas participantes das lutas sociais que, contraditoriamente, viam seus direitos limitados no momento em que se alardeava o nascimento da “democracia” contemporânea:

“Diga-me, quem te deu o direito soberano de oprimir o meu sexo? (…) Ele quer comandar como déspota sobre um sexo que recebeu todas as faculdades intelectuais. (…) Esta Revolução só se realizará quando todas as mulheres tiverem consciência de seu destino deplorável e dos direitos que elas perderam na sociedade”. Muitas dessas mulheres chegaram a participar dos conflitos armados contra a monarquia absolutista, além de ocuparem todos os espaços de construção revolucionária, fazendo política em lugares até então dominados por homens e criando, inclusive, algumas organizações próprias como o “clube das tecelãs”. 

Acontece que boa parte das engrenagens dessa nova sociedade permaneceu antiga, os dominados de antes se tornaram dominantes, submetendo outros dominados. As mulheres continuaram a ser tratadas como sujeitos sem razão, e os desmandos de um governo que reivindicava os ideais de “liberdade, igualdade e fraternidade” foram responsáveis por assassinar inúmeras delas, inclusive Olympe de Gouges, guilhotinada em 3 de março de 1793 por “querer ser um homem de estado e ter esquecido as virtudes próprias do seu sexo”.  O fim do século XVIII e o início do XIX trouxeram transformações significativas no processo produtivo mundial, acarretando a Revolução Industrial e a consolidação do sistema capitalista. O trabalho feminino foi incorporado nas fábricas com salários aproximadamente 60% menores que os dos homens, jornadas de trabalho inseguras e insalubres, que chegavam a 17 horas diárias, além da recorrência de espancamentos e ameaças sexuais. Manifestações para denunciar as insustentáveis relações começaram a explodir.

A ebulição do XIX é tão marcante para o avanço da luta das mulheres , que a memória social a relaciona diretamente com a origem do Dia Internacional da Mulher. A versão mais conhecida sobre a criação simbólica do 8 de março remonta uma greve iniciada por operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque, no ano de 1857, que solicitava a redução das jornadas, salário igual para trabalho igual, e o fim dos abusos no ambiente de trabalho. Patrões e policiais teriam trancado as manifestantes na fábrica e posto fogo em suas dependências, matando asfixiadas e carbonizadas mais ou menos 130 trabalhadoras.

Porém, pesquisas mais recentes sobre o movimento feminista contestam essa versão, afirmando que a origem do 8 de março, apesar de amalgamar um grandioso panorama de lutas, está diretamente relacionado à militância das mulheres no interior do movimento socialista. Ana Isabel Álvarez Gonzales, autora do livro “As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres” entrecruza uma série de fontes esclarecendo a “mitologia” das versões que relegaram ao esquecimento as feministas socialistas. Segundo Gonzales, foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário ortodoxo), no processo da I Guerra Mundial, e de desencadeamento da Revolução Russa, que cerca de 90 mil operárias russas se organizaram contra a exploração imposta no trabalho, a fome, e a participação de seu país na guerra, liderando uma manifestação batizada de “pão e paz”.

A repercussão internacional do 8 de março, segundo Gonzales, também não teria sido firmada em 1910, como costuma apontar o senso comum. Nesse ano, Clara Zetkin sugeriu, de fato, a unificação de uma data para lembrar e reafirmar a luta das mulheres, durante a Conferência das Mulheres Socialistas em Copenhague. Porém, nos documentos sobre a conferência não há menções sobre nenhuma resolução do dia específico. Segundo a autora, a adoção do 8 de março se deu apenas em 1921, em outra conferência, a das mulheres comunistas, realizada em Moscou. Sua reivindicação passou a ser impulsionada pela recém criada 3ª Internacional, relembrando o ato das socialistas russas, e realçando a necessidade da manifestação de mulheres contra explorações de todos os tipos.

Apesar do longo histórico de luta das mulheres, em pleno século XXI continuamos agredidas pelo machismo e pelo capitalismo. As soluções forjadas por tal sistema de exploração apontam, cada vez mais, para a saciedade do mercado, que tem sua engrenagem na conivência de Estados opressores, e em ataques diretos à vida das mulheres. Seja através da exploração dos nossos corpos, da prostituição e da violência contra nós, do controle sobre nossa sexualidade, da invisibilidade de nossa dupla jornada de trabalho, dos limites a nossa autonomia, ou da negação de nossos direitos sociais.

Nos últimos meses, em que acompanhamos a onda dos megaeventos invadir o Brasil, temos nos preocupado com o aumento da exploração de meninas e mulheres em todo o território nacional. Apesar dos investimentos e oportunidades possíveis de serem gerados durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, dia após dia, nos deparamos com vários de seus efeitos negativos. Na contramão das melhorias para a população brasileira, milhares de pessoas estão sendo despejadas de suas casas para que sejam atendidos os interesses do capital, leia-se empreiteiras, empresários e cafetões. A realidade é ainda mais dura quando se trata de mulheres pobres e negras, as mais afetadas pelas remoções e maiores vítimas da exploração sexual e tráfico de pessoas.

A previsão para o aumento do número de turistas no Brasil durante a Copa do Mundo calcula um salto de 5,5 milhões para aproximadamente 7,2 milhões . Os empresários da indústria sexual, por sua vez, começaram a se movimentar cedo, lançando pacotes promocionais com a inclusão de exploração sexual de mulheres e meninas, tratadas como propriedade, comercializadas como mercadoria.

Em 2012 um site intitulado “Garota Copa Pantanal 2014” foi tirado do ar por postar fotos de meninas menores de idade em posições sensuais e com camisas promocionais do campeonato. O site passou a ser investigado devido a suspeita de “agenciar” a iniciação de adolescentes na indústria sexual.  Nos canteiros de obra dos estádios já nota-se o aumento da prostituição de mulheres, adolescentes e crianças. No ano passado, o Jornal inglês Mirror publicou uma matéria mostrando a enorme incidência de meninas exploradas sexualmente nas proximidades do Itaquerão, em São Paulo.  

Em tempos de grandes eventos observamos, ainda, um aumento das recorrentes agressões às mulheres nos meios de comunicação e campanhas publicitárias. No mês passado, diversas organizações feministas lançaram nas redes sociais uma campanha de repúdio à marca Adidas, que confeccionou camisetas comemorativas da Copa no Brasil com os desenhos de um bumbum com fio dental e de uma mulher de biquíni. Ou seja, além da violência física, sofremos também com a violência simbólica, em que as ideologias dominantes – representadas pelos sistemas simbólicos – se transformam em funções políticas para submeter a ordenação do mundo a interesses específicos. Como dispositivo de poder, a mídia atua para garantir a hegemonia estrutural das classes dominantes e a reprodução da ideologia machista, racista e homofóbica inerente ao capitalismo. Assim, os estereótipos que relegam as mulheres a posições objetificadas, seja nas campanhas publicitárias, nos comerciais de cerveja, ou em novelas, invadem nossas casas todos os dias, apresentando como natural algo que é imposto. Estamos nas ruas para denunciar essa lógica, cobrar do Estado políticas públicas de combate à exploração sexual e a democratização dos meios de comunicação.

Na levada das jornadas de junho, apontamos também para a necessidade de um plebiscito popular como oportunidade de promover reformas estruturantes na organização de poder no Brasil, questionar o caráter patriarcal do Estado, aumentar a bancada feminina no Congresso e garantir nossas demandas. Segundo dados do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), dos nossos 594 parlamentares – 513 deputados e 81 senadores – 273 são empresários, 160 da bancada ruralista, 66 compõem a bancada evangélica e apenas 91 são representantes de trabalhadoras e trabalhadores da bancada sindical. Além disso, do universo de 594 parlamentares, somente 55 são mulheres. Para que o interesse público sobreponha o privado, a democracia se aperfeiçoe, e a maior participação da população na política seja garantida, é preciso o empenho no debate sobre uma Reforma Política capaz de desafiar os interesses econômicos, mantenedores das relações promíscuas entre empresários e políticos, e a sub-representação de gênero e de raça no Congresso Nacional. Nosso grito é pelo financiamento público de campanha e pelo voto em lista fechada com alternância entre homens e mulheres, aumentando a presença de mulheres no parlamento e colocando as disputas eleitorais em torno de projetos, e não de indivíduos.

Diante das investida da sociedade capitalista e patriarcal em nos domesticar, reafirmamos a luta das mulheres pelo direito de decidir sobre a própria sexualidade, e pelo fim de todos os tipos de violência que sofremos. A todos os perpetradores a aplicação da Lei Maria da Penha. Para que parem as mortes e sequelas causadas por abortos inseguros e clandestinos, entendemos a prioridade de fortalecimento do SUS e a descriminalização e legalização do aborto.

Conforme a célebre frase de Rosa Luxemburgo que intitula este artigo: “Quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede”. Estamos nas ruas por outro mundo possível! Viva o 8 de março e a luta das mulheres!

 

Bianca Rihan é feminista, socialista, flamenguista e mestranda em história social pela Universidade Federal Fluminense.

Teia Rural 2013: o encontro da rede estadual dos Pontos de Cultura do Rio de Janeiro

Entre 5 e 8 de dezembro a Região Serrana recebeu a Teia Rural 2013 – o encontro da rede Estadual de Pontos de Cultura do Rio de Janeiro. Pela primeira vez realizada em três distritos (Lumiar e São Pedro, no município de Nova Friburgo, e Barra Alegre, no município de Bom Jardim), a Teia Rural recebeu agentes culturais, artistas, gestores, pesquisadores, Pontos de Cultura e outras iniciativas do Programa Cultura Viva para um fim de semana de debates, apresentações, articulações políticas e muito encantamento.

Primeiro dia da Teia Rural

O encontro contou com a presença de Pontos de Cultura de cerca de quarenta municípios do estado do Rio de Janeiro, e também de representantes do Pará, Ceará, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Brasília. Além disso, estiveram presentes Marcelo Pedroso, secretário executivo do Ministério da Cultura, presente pela primeira vez em uma Teia Estadual, Marcia Rollemberg, Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural e Juana Nunes, diretora de Cultura e Educação da Secretaria de Políticas Culturais do MinC, Olívia Bandeira, coordenadora da Diversidade Cultural da Secretaria de Estado de Cultura e o deputado Robson Leite, relator da Lei Cultura Viva no Estado do Rio de Janeiro.

Estiveram presentes representantes da Plataforma Puente / Cultura Viva Comunitaria, articulação altinoamericana de redes culturais que, inspiradas pelo Programa Cultura Viva, reivindica políticas culturais para a cultura comunitária no continente. O evento recebeu o encontro da Rede de Museologia Social do Rio de Janeiro, reunindo representantes de Pontos de Memória, Ecomuseus e Museus Comunitários para discutir e acordar coletivamente os princípios, missões e ações da rede, bem como estreitar contatos com os Pontos de Cultura que possuem trabalho ligados à memória. Neste sentido, a Teia do Rio fortalece este movimento ao reconhecer as ações do Programa Cultura Viva (não apenas Pontos de Cultura, mas também Pontos de Memória, Pontos de Leitura, Pontinhos e Pontões de Cultura) como parte integrante das Teias e Foruns da rede Cultura Viva.

Teia Rural 2013

Na Mostra Artística do encontro se realizaram um total de 21 apresentações culturais entre São Pedro da Serra, Lumiar e Santo Antônio, envolvendo 165 artistas no total, entre artistas locais e de outras localidades do Estado. Entre as manifestaões culturais, a Teia foi palco para os Sanfoneiros da Serra, a Banda do Ponto de Cultura de Olária, o Mineiro Pau da Escola Municipal Vieira Batista, a Contações de Histórias da Escola Granada e Moara, os grupos Danças da Terra e do Mar e Timbres e Temperos do Ponto de Cultura Os Tesouros da Terra, o Boi de Miracema do Ponto de Cultura Cara da Rua, o grupo Mais Leitura, a Banda Bordados, o coletivo Soul Atitude Social e os cantores Nelson Paes, Kleber Mendonça, Fá Gonçalves e Thiago Vernek.

Um dos principais temas debatidos no encontro foi a questão da produção cultural no meio rural. A Roda de Conversa dos Pontos de Cultura Rurais revindicou a abertura de editais e políticas públicas específicas para o meio rural, que se garantam equipamentos de comunicação como a antena Gesac de acesso à internete que a Secretaria de Estado de Cultura faça caravanas e escritórios móveis em localidades rurais para divulgação, esclarecimento e apoio aos próximos editais.

Ainda neste tema foi discutida também a necessidade de um protocolo acordado junto aos governos que possa ser acionado durante situações de desastres e catástrofes naturais nas regiões atingidas. Durante a semana, inclusive, uma forte chuva atingiu o Norte do Estado, inviabilizando a participação de ponteiros da região, mais especificamente da cidade de Macaé, fortemente atuante na rede. Solidários aos companheiros, os participantes da Teia Rural aprovaram por unanimidade uma moção de apoio à cidade de Macaé e aos Pontos de Cultura que não puderam estar presentes. Veja aqui a moção completa:  http://va.mu/dhUt

Para além da área rural, a questão da institucionalidade da cultura e a necessidade de aproximação e maior diálogo entre Estado e agentes culturais em geral foi amplamente debatida no encontro. A Roda de Conversa sobre a Lei Cultura Viva e o CPF da Cultura, por exemplo, buscou discutir os impactos do Sistema Nacional de Cultura na organização da gestão cultural e na participação social nos três níveis de governo (União, Estados e Municípios). O grupo definiu, entre suas resoluções finais: a mobilização para aprovação da PEC 150 (que define respectivamente 2%, 1,5% e 1% dos orçamentos federal, estaduais e municipais para a cultura); a gestão compartilhada do Fundo de Cultura; e a criação dos Conselhos de Cultura com paridade e condições para que a sociedade civil tenha número, formação e condições operacionais (como acesso e circulação de documentos, consultoria jurídica), com a criação inclusive de uma ouvidoria, e compreendendo também o recorte temático, de linguagem, e a diversidade regional.

Já a Lei Cultura Viva, que transforma o Programa Cultura Viva em política de estado, está em tramitação no congresso e deverá em breve passar por sua votação final. Por sua vez, a lei estadual encontra-se na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e precisa ser votada ainda em 2014, na atual legislatura do deputado Robson Leite (PT RJ), que esteve presente no encontro, caso contrário será arquivada. Sendo assim, os representantes do encontro demandaram que haja uma consulta pública a fim de efetivar a participação social, além da necessidade de se garantir o orçamento necessário para que seja implementada, uma vez que a Lei tenha entrado em vigor.

Roda de conversas

Ainda sobre esta relação entre Estado e sociedade civil, foi levantada a questão do diálogo entre as legislações existentes e da necessidade de reconhecimento e a patrimonialização de práticas culturais populares como a medicina tradicional. A Roda de Conversa sobre Cultura, Educação e Saúde trouxe assim a demanda de promover ações que contribuam com a valorização dos saberes e fazeres locais com olhar mais abrangente, a fim de garantir o direito dos atores sociais de exercer suas práticas, considerando suas formas e lógicas organizativas sem serem criminalizadas, e incluindo também as instituições, entidades universidades.

O Programa Viva, criado em 2004 pelo Ministério da Cultura, busca “desevendar o Brasil”, reconhecendo e potencializando iniciativas culturais em todo o país. Entre as mais diversas linguagens artísticas e áreas de atuação, os projetos apoiados integram uma rede de cultura e mantém encontros periódicos nas Teias.  No site www.teiarj.org e na página  https://www.facebook.com/teiaestadualdospontosdecultura encontram-se maiores informações e novidades sobre a Rede de Pontos de Cultura do Rio de Janeiro.

Originalmente publicado em: http://www.teiarj.org/index.php/component/k2/item/18-materia-teia-rural-2013

Teia Rural 2013: o encontro dos Pontos de Cultura do Estado do Rio

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O que é uma teia?

A Teia é o espaço de encontro nacional e regional dos Pontos de Cultura, e também das iniciativas em torno do Programa Cultura Viva. No estado do Rio de Janeiro, a TEIA RURAL será realizada este ano em Bom Jardim, nos municípios de Bom Jardim e Nova Friburgo, na região Serrana, entre 5 a 8 de dezembro de 2013.

O Estado Rio de Janeiro possui mais de 300 Pontos de Cultura, Pontinhos, Pontões e Pontos de Leitura pelas  8 regiões do estado: Metropolitana, Nordeste, Norte, Serrana, Baixada Litorânea, Médio Paraíba, Centro Sul e Costa Verde e divididos em cerca de 35 áreas de atuação, preservando a força motora do Cultura Viva: a diversidade.

A TEIA é um encontro, síntese do processo de empoderamento que acontece nas bases culturais da sociedade brasileira a partir do programa Cultura Viva e da organização dos pontos de cultura enquanto um movimento social. Misturando discussão política, reflexão, celebração e produção estética, a TEIA RURAL se organiza basicamente a partir de 3 grandes áreas: Fórum Estadual dos Pontos de Cultura, Mostras Artísticas/Celebrações e Seminário, e se propõe a ser um espaço de diálogo e reflexão entre os pontos de cultura, além de trazer referências conceituais da cultura contemporânea.

 

Pontos de reflexão

Cultura Comunitária ampliando o direito a cultura
Essa mesa abordará questões relacionados a importância da cultura comunitária na garantia do direito a cultura e de um desenvolvimento sustentável.  Abordando questões do Programa Cultura Viva, principal, política pública de cultura do país, que envolve uma rede de organizações de cultura comunitária espalhada no Brasil.
 
Políticas Culturais para áreas rurais
Essa mesa abordará políticas públicas de cultura voltadas para áreas rurais.  Entendo as concepções que regem as políticas de cultura para essas localidades.   O papel da cultura e a dimensão cultural que esses territórios  vivenciam em seu cotidiano.
 
Pontos de Cultura construindo um protocolo para a cultura
Essa mesa abordará experiências de diferentes áreas que são acionadas em situações de desastres naturais.   A intenção é possibilitar a criação de um conjunto de ações para serem realizadas pelos pontos de cultura em situações de desastres naturais .  Serão convidados organizações da sociedade civil, representantes governamentais e profissionais afins que possam contribuir com a elaboração deste protocolo.
 
Fórum de Pontos de Cultura e o CPF da Cultura
Essa mesa abordará questões relacionadas as normas e procedimentos que definiram as relações institucionais entre os entes federativos.  Aprofundando o debate sobre o CPF da Cultura: conselho, plano e fundo de cultura e correlacionando com a necessidade de organização dos pontos de cultura para atuarem mais diretamente nestas esferas.
 
Juventudes e os Pontos de Cultura
Essa mesa abordará a importância da participação dos e das jovens na rede de pontos de cultura.  Será destinado para garantirmos o debate sobre a participação juvenil nos pontos de cultura.

 

Como participar?

Formulário online de Pré-Inscrição, clique aqui

A organização da  TEIA RURAL fica a cargo do Fórum dos Pontos de Cultura do Rio, e está dividida em sub-comissões. Entre em contato com cada uma delas para saber como ajudar:

Captação – captacao@teiarj.org

Comunicação – comunicacao@teiarj.org

Debates – debates@teiarj.org

Infra-Estrutura – infra@teiarj.org

Comissão – comissao@teiarj.org

Contatos Gerais – teiarural2013@gmail.com

 

A Teia Rural dos Pontos de Cultura é nossa!

Participe

Interaja

Debata

Divulgue!

 

Para saber mais: http://www.teiarj.org

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Amanhã vai ser maior

Enquanto recursos públicos se evaporam em festas de fraternindade, um sino de fogo rosa soa nas nuvens” – Rimbaud

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O Coletivo Câmera Rebelde convoca: Ato pela Libertação dos Presos do dia 15 de Outubro

Será realizado na Cinelândia, em frente às escadarias da Câmara, nesta quarta-feira, dia 30 de Outubro, a partir das 18 horas, um ato político e cultural pela Libertação dos Presos do dia 15 de Outubro. Cineastas, Militantes, Artistas, Estudantes, Indígenas, Coletivos, Organizações da Sociedade Civil, todas estão convidadas para o ato que ocorrerá com performances, falas abertas e a exibição do filme Distopia (021), do cineasta Victor Ribeiro, um dos presos do dia 15.

 

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Entenda o caso*

As detenções arbitrárias cometidas pelo Estado do Rio contra os manifestantes presos no dia 15 de Outubro denuncia a forma com a qual o Brasil lida com o exercício da cidadania. Segundo informações da Polícia Civil, no protesto realizado em apoio aos professores, dia 15/10, cerca de 190 pessoas foram conduzidas à força até as delegacias, tendo ocorrido 64 casos de prisão provisória em decorrência de supostos flagrantes. Além do grande volume de detenções arbitrárias, o que qualifica especialmente este dia é o uso da Lei de Organizações Criminosas (Lei 12.805/2013) contra os manifestantes, enquadrando a atividade de protesto sob o título de “associação criminosa”. O oficio destaca também o anúncio do Estado brasileiro, mesmo antes das detenções, que se valeria desta lei, mostrando uma intenção de criminalizar a indignação popular independente da conduta individual.

Ficou evidente a tentativa de coibir a livre manifestação através do endurecimento penal e da opressão. Igualmente grave foi o uso de tipos penais inafiançáveis, para dificultar a liberdade dos manifestantes detidos, e a imposição de internação forçada para os adolescentes. No mês passado, o Relator Especial da ONU para Liberdade de Expressão disse que vê uma escalada da violência e da arbitrariedade por parte do Brasil. Sete (7) manifestantes ainda estão presos.

Na quinta-feira, dia 24, a juíza Cláudia Pomarico Ribeiro, da 21º Vara Criminal, negou o pedido de relaxamento com o pedido de liberdade de Daniela Soledad dos Santos Barbosa (Sol), estudante de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), atriz – participante do grupo de teatro Tá Na Rua -, e de Victor Gonçalves Ribeiro de Souza, cineasta, um dos organizadores do Festival Globale Rio, acusados de incêndio. A Vara negou pela segunda vez o pedido de liberdade provisória para os dois. A decisão é polêmica, pois o Ministério Público, responsável pela acusação, solicitou a liberdade provisória dos jovens, alegando não haver provas de flagrante. A juíza, no entanto, levou em conta apenas o depoimento dos policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar que executaram a prisão. Uma sequência de fotos feita por Grasiele Nespoli, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, desmente a versão da PM. As imagens mostram que o fogo teria sido provocado por uma outra pessoa, diferente dos acusados, cerca de 30 minutos antes da passagem de Victor e Sol pelo local. Jair Seixas Rodrigues (Baiano), militante da Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST), foi enquadrado na conduta de associação criminosa. O ativista já havia alertado diversas vezes sobre uma possível perseguição por parte das autoridades públicas. Além deles, os irmãos Douglas Silva Pontes e Matheus Da Silva Pontes estão sendo processados por formação de quadrilha. Henrique Pires teve a liberdade concedida, mas teve problemas no momento do SarqSeap e ficou retido. Rafael, pessoa em situação de rua, está encarcerado desde o dia 20 de junho. Ele não portava documentos na hora da prisão.

*Nota da Justiça Global

 

Mais duas liberdades! Acaba de ser confirmado que foi concedido hoje (25) Habeas Corpus em favor dos irmãos Douglas Silva Pontes e Matheus da Silva Pontes, presos desde o dia 15/10. Estas liberdades se somam a outras duas conseguidas hoje pelo DDH: a de Victor Gonçalves Ribeiro e a de Daniela Soledad dos Santos Barbosa. Estamos acompanhando o cumprimento das decisões, que devem ser efetivadas no prazo legal de 24 horas. Ainda permanecem presos os manifestantes Henrique Costa Pires e Jair Seixas (Baiano). Ninguém será esquecido!
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